Vermelho

Vejo seus olhos castanhos e me envergonho.
Sentir sua alma penetrando a minha me causa certo medo,
Não por algo esconder,
Mas por que não sei o que há de vir depois.

Eu sei que é você e eu sei que é quem quero,
Mas o que há de vir depois?

Sentir sua mão tocando a minha,
Deslizar meus dedos por seu rosto e contornar seus olhos.
Ah, seus olhos... Como gosto deles.
Se pudesse passaria o dia decodificando-os,
Descobrindo cada cantinho do seu ser:
Medos, vontades, sonhos.
E junto a isso, ouvir sua voz.
Ela me acalma.
Aliás, gosto de lhe ouvir cantar.
A melodia sonora de suas cordas
É como um afago em meus cabelos
No momento de dormir.

Contornar seus olhos enquanto canta: como sonhar é bom... 

Falar bobeiras, brincar de sorrir,
Dizer pela boca o que vem do coração:
Deixe-me ser seu...
Perceber-te por fora,
Tocar o intocável,
Sentir os pequenos fios brancos.
Sentir.
E então deitar de braços abertos
Com os sorrisos também abertos e dizer:
Estou cansado e feliz.
Olhando um para o outro,
Percebendo as almas ligadas pelo destino.
Mas não só o destino como apenas destino,
Mais também pelo destino como escolha.

Então volto a deslizar os dedos por seu rosto
E a contornar seus olhos falantes.
Envergonho-me pelas palavras que leio, não por você, mas por mim.

Eu sei que é você e eu sei que é quem quero,
Mas o que há de vir depois?

E no silêncio se faz a resposta...

O amor.

Sandro Aragão