Minha Insensata Melodia

Então éramos só eu e a solidão.
Até que convivíamos bem.
O mundo era acinzentado, é verdade.
Mas eu meio que já me acostumava com o nublado.
Não... Não existiam estrelas no céu.
Não existiam cores, nem refrações de luz.
 Ser sozinho já estava ficando uma engraçada rotina.
E, como a vida é uma sucessão de surpresas, você apareceu.
Eu, sinceramente, não esperava te encontrar.
Tomei um susto, é verdade.
Sabe, as melhores coisas acontecem quando não esperamos.
A verdade é que sua chegada trouxe vida.
E eu já não sabia o que era viver.
Será que algum dia eu soube? Não sei...
De repente eu te encontrei.
Irradiante, contagiante, com intensidade e até certa insensatez.
Com belas semelhanças com o que eu sonhava.
E com diferenças que, simplesmente, me completavam.
Você trouxe cores ao meu mundo particular.
Um valoroso sopro de vida na alma deste poeta.
E eu, que sempre me controlei, me vi sem ação.
A partir daquele momento eu já não mandei mais em mim.
É como se, de uma hora pra outra, o gosto por viver retornasse.
Os dias sem te ver eram pequenas eternidades.
E cessavam exatamente quando meus olhos te miravam.
Ah, o tempo sempre parece voar quando estou ao seu lado.
Coração acelera, né? É o maior barato.
Dá pra ver minha alegria só de pensar em você.
O que eu escrevo agora tem tom, movimento...
Eu acho que é assim que nascem as músicas.
Uma letra sozinha é só uma poesia.
Bonita, tocante, mas sólida, estacionária.
São belos versos para se ler, e sonhar.
Mas quando se une à melodia, fica completa, para sempre.
As palavras ganham ritmo e ainda mais harmonia.
E ficam nos tocando toda vez que as cantarolamos.
Mexem e remexem com nosso coração... Com nossos sentidos.
Acho que é assim que te vejo: A minha melodia.
Os acordes que faltavam às minhas poesias.

Leonardo Távora