Ao meu amigo que não fala

Existem amizades que não precisam necessariamente da palavra para que se façam verdadeiras. É verdade que os mais simples amigos são os que talvez mais valham a pena. Eu prefiro entender que cada pessoa é de uma maneira, e que, se nos atraem sua amizade, é porque gostamos do seu jeito único de ser. É um ser amigo sem pretensões. Isso é verdade. Isso é amizade que fica, ainda que o tempo e a vida encaminhem nossas vidas em destinos opostos. Ainda assim, sabemos que, sempre que precisarmos, nós temos uma pessoa com quem podemos contar.
Mas aqui a intenção é falar de um amigo em especial. Esse meu amigo não fala, a não ser com os olhos. Acho que não precisamos de palavras para nos entender mesmo. Do jeito que é já tá muito bom. Esse meu amigo é muito serelepe, brincalhão mesmo. Acho que se eu tivesse para cair em um poço, ele acharia que aquilo é apenas uma brincadeira, e pularia junto, sem pensar, mesmo porque ele confia em mim, assim como eu nele confio de olhos fechados. Esse meu amigo anda de quatro patas, tem grandes orelhas caídas. Sim, esse meu amigo é um cachorro.
Sem querer desmerecer todos meus amigos humanos, esse é especial. Ele veio para mim não apenas para me trazer alegria, mas para me mostrar que a vida é muito mais simples que imaginamos. Não precisamos de muita coisa para ser feliz. Ele mesmo faz uma verdadeira festa com apenas uma bolinha. Podemos brincar por horas à fio, e no final eu sempre desisto por me cansar, enquanto ele tem o pique todo para continuar mais algumas horas. Quando me vê triste por qualquer coisa do meu complexo mundo, ele simplesmente vira sua barriga pra cima, e enquanto recebe meus carinhos, talvez me diga: “Viu como o stress não nos leva a nada”.
Com sua simplicidade ele transformou minha vida. Trouxe a alegria que faltava. É o companheiro que eu sempre quis. Tanto quando brincamos, e nos sujamos no chão, como quando ele simplesmente se deita e me pede carinho. Realmente, não precisa falar nada. A gente se entende muito bem sem precisar usar as palavras para isso. É muito mais que um amigo de quatro patas. É o meu grande amigo. A vida é muito efêmera, e a dele é muito mais. Dentro de algum tempo eu não poderei mais contar com sua amizade sincera. Ele vai para outras paragens, aprender outras coisas. Eu continuarei aqui mesmo, nesse planeta, aprendendo minhas lições.
Tudo isso eu disse, mas pra ele, nada disso é preciso. Basta um sorriso meu e ele já estará satisfeito. Esse é meu amigo, das quatro patas, do orelhão caído, das brincadeiras, das lambidas, dos pulos diretos em meu colo... Enfim, esse é aquele que nunca me pediu nada, e em troca, me deu um novo jeito de olhar a vida. Talvez você também tenha um amigo assim. Então, entenderá exatamente tudo o que eu falei nessas linhas. Fica aqui esta justa homenagem àquele que, mesmo sem saber, eu dei o nome mais certo e mais apropriado ao seu jeito de ser: “Phellow”... Amigo, meu amigo!!