As cores do entardecer

Ele é quente
Ela é fria
Ele, claro
Ela, sombria
Ele é o dia
Ela é a noite
Um tem o brinquedo
A outra, o açoite
O primeiro é das crianças
A última, dos amantes
Ele é casual
Ela, elegante
Quando o dia vai
A noite sempre vem
E quando ela desaparece
Ele nunca se abstém
Há os que gostam mais dele
E há quem prefira a ela
Um ostentando o sol
A outra, o céu cheio de estrela
Habitam a mesma casa
Mas tão pouco os dois se veem
Não sei se por castigo
Ou porque assim desejem
Só sei que no pouco tempo
Em que dividem o firmamento
E então, a noite ainda é dia,
Ah, que espetáculo, este momento

Celso Garcia