Sua majestade, o artista de rua

Lá vai ele para mais um dia de batalha.
A maquiagem baratinha, a manchar a pele.
Desenhos que reproduzem a sua alma a enfeitar seu rosto.
A velha roupa, comida pelo tempo.
O chapéu engraçado.

E ele sai.
Caminhando para um novo dia ganhar.
Seu sustento... Sua sobrevivência...
E assim segue o artista de rua.
Vai para onde ninguém o chamou.
Leva sua alegria a quem nem pediu.

Em praças e sinais ele vive para encantar.
Ilusão, que transforma gente comum em grandes heróis.
Sem que peçamos, lá ele está.
Faz tranquilo o seu trabalho.
E com sua alegria faz sorrir até o que na vida graça nem vê.

Vai ganhar o que com isso?
São migalhas que jogam para ele.
Tem dias que nem compensa.
Ninguém valoriza.
Poucos o percebem.
Mas ele insiste, pois acredita naquilo que faz.

Louco! Ele poderia trabalhar em outras tantas coisas.
Sim, mas seriam só outras tantas coisas.
Não o fariam verdadeiramente feliz.
Porque ele faz o que gosta.
E quando é assim, até o mais difícil se torna simples...

Sonho de um artista.
Dos bancos de praças... Das ruas... Palcos da vida...
Vida cheia de insólitos sacrifícios.
Trabalho sem expectativa de reconhecimento.
Só entende quem tem um sonho que domina o íntimo do seu ser.
Só alguém como ele pra levar arte a quem não para pra ver.