Finalmente, amor

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Abrir os olhos de manhã e ver, logo cedo, um “Bom dia” assim caloroso anima o dia de qualquer um. E aquele dia só estava começando.
“Bom dia” para você também. Tímido, mas cheio de carinho.
Hoje ele não trabalha. Hoje ela está de folga.
Hoje tem filme novo no cinema. Ele quer ir. Ela também.
Ele convida. Ela aceita. Finalmente, um encontro. Sem planejar, sem pensar, sem esperar. Foi só deixar acontecer. 
O que vestir? Maquiagem? Perfume suave. Vestido de verão. 
Fazer a barba? Será que ela vai gostar? Deixo a barba, vou arriscar. Aquela camisa na cor que ela gosta.
Cheguei. “Te espero na Praça de Alimentação”. Ok. “Estou chegando”.
Pronto. Chegou. Já vem ele, bonito como sempre. Lá está ela, linda.
Oi. Um abraço delicado, um carinho desajeitado.
O filme já vai começar. Vamos entrar? Pipoca.
Silêncio embaraçoso. O filme começou. Olhares vêm e vão. As mãos se entrelaçam. Um beijo acontece. Um milhão de emoções se misturam. O tempo para e parece que não há mais ninguém naquela sala.
Até as estrelas de cinema pausam as cenas de ação do filme para vivenciar o florescer daquele amor.
Ela sorri mais tímida que nunca. Ele sorri mais feliz ainda.
O filme acabou. Filme? Qual filme? Depois daquele momento, nem filme, nem ação, nem mocinho ou vilão. Nada mais chamou a atenção daquele casal que acabara de se formar.
Para eles, o mundo parou. Para eles, agora, tudo faz mais sentido.
Ele completou o pedacinho que faltava nela. Ela preencheu todo o espaço do coração dele.
A única coisa que eles não entendiam era porque demoraram tanto a perceber o quanto um faz bem para o outro. 
Esse tal de amor faz coisas estranhas mesmo. Custa a aparecer, mas quando chega, e é verdadeiro, derruba tudo o que vê pela frente e, em segundos, reconstrói uma nova pessoa.
De mãos dadas, deixam a sala de cinema. Conversam lá fora por um minuto, uma hora, quase um dia todo.
A despedida é cada vez mais difícil, mas a certeza do reencontro anima aqueles corações que agora dançam no peito.
Um beijo. Um abraço. Um “tchau” singelo e cheio de emoção.
Ele vai embora.
Ela vai para casa.
Ele sorri, bobo, sozinho pela rua.
Ela reconstrói na lembrança cada momento daquele dia.
Ele não quer mais parar de pensar nela.
Ela não consegue tirar seu amor da cabeça.
Ele dorme feliz. Ela sonha com o futuro.
Naquele dia aconteceu e eles não conseguiram disfarçar.
Naquele dia, a solidão foi embora e deu lugar para aquele amor que estava escondido.
Naquele dia, o amor extrapolou o limite daqueles corações e conquistou o mundo.
O mundo dele. O mundo dela. O mundo que agora pertence aos dois.

Marina Messias