Entrevista Literária: "Janaína Rico"

“A linha que separa a sensualidade da vulgaridade é muito tênue”

Nascida em Brasília, filha do escritor Luiz Berto Filho e da historiadora Elisabete Regina Rico Torres, Janaína Rico, 34, é uma escritora brasiliense, autora do ‘Ser Clara’, de 2009, e do romance ‘Apimentado’, de 2012.

A personagem desse mês formou-se em direito e deu aulas de Direito do Trabalho e Direito Administrativo em cursinhos. Foi servidora pública, mas largou tudo para dedicar-se integralmente à carreira de escritora.

Confira a entrevista exclusiva: 

Por Patrícia Távora

Literatura Exposta - A fim de que as pessoas conheçam quem é a escritora brasiliense, vamos começar com quem é Janaína Rico no olhar de Janaína Rico?

Janaína Rico: Nossa, que pergunta difícil. Bom, eu não bato muito bem da bola. Então cada dia sou uma pessoa diferente. Acho que me tornei escritora por gostar de contar mentira. Assim, pelo menos as minhas invenções malucas viram livros. Mas, basicamente, sou uma criatura amorosa, que defende a natureza e apaixonada pela minha família.

L.E - Com obras destinadas ao público feminino, como é a aceitação da literatura erótica?

Rico: A literatura erótica costuma ter péssimos livros. É difícil você encontrar alguém que saiba falar sobre sexo sem ser vulgar. O Ser Clara e o Apimentando, meus primeiros romances, são sensuais. A linha que separa a sensualidade da vulgaridade é muito tênue. Hoje em dia o pessoal procura por mais livros com a temática erótica por estar na moda, depois do fenômeno 50 tons de cinza. Mas, isso nem sempre quer dizer qualidade.

L.E - Qual das suas obras você elege sua favorita? 

Rico: É mais ou menos como perguntar para uma mãe qual é o seu filho preferido. Mas o “Apimentando” tem mais o meu carinho.

L.E - Por que escolheu essa? 

Rico: Por ser uma coisa completamente diferente do que está no mercado. A “mocinha” da história já está na casa dos 40 anos, vivendo dramas que muitas mulheres vivem e não tem coragem de assumir. Saí daquela coisa “triângulo amoroso com caras perfeitos” que a gente vê na maioria dos romances femininos por aí.

L.E - Você já publicou um livro infantil “O maravilhoso livro de desenhos da menina que não sabia desenhar”. Como é escrever para esse público? Fará mais obras infantis? 

Rico: Sim, já tenho uma pronta. E estou escrevendo outra. Escrever para crianças é uma alegria sem fim!

L.E - Com objetivo de ganhar um espaço maior para autores brasileiros nas livrarias, você criou o movimento “Eu leio Brasil”. Qual a sua intenção através desse manifesto?

Rico: Mostrar que as pessoas querem sim comprar livros brasileiros, mas não os encontram nas livrarias. As grandes redes não dão destaque aos nacionais. Reservam uma prateleirinha, escondida no fundo da loja, e jogam meia dúzia de livros ali. Ah, fala sério! É uma falta de respeito e consideração muito grande com o autor nacional.

L.E - Qual será o segundo passo após recolher as assinaturas por meio da petição on-line?

Rico: Levar para a mídia, para as livrarias, mostrar a nossa voz.

L.E - Para você, como seria um passo a passo perfeito para a valorização dos escritores brasileiros? 

Rico: Não existe a regulamentação da profissão do escritor. As editoras exploram, não pagam, sequer se dão ao trabalho de responder quando um escritor iniciante envia os originais para serem avaliados. Muito caminho tem que ser percorrido. Estamos ainda engatinhando, se compararmos com países como EUA, França, Canadá e Inglaterra. Não sei qual é o caminho perfeito, mas estou fazendo a minha parte. É como aquela fábula do passarinho que tenta sozinho apagar o incêndio. As gotinhas que ele carregava no bico eram a maior contribuição que ele podia dar.

L.E - Deixe aqui sua mensagem para os leitores do blog Literatura Exposta.

Rico: Antes de mais nada, a minha gratidão pelo carinho. E peço para que assinem o nosso manifesto! http://www.peticao24.com/eu_leio_brasil