E não volta

Eu quero poder manter viva em minha memória uma das nossas lembranças mais simples, porém, a mais gostosa de se lembrar.
Quero fechar os olhos e sentir o cheiro de tudo que queimava, lembrar de como eu apoiava minhas pernas nas suas enquanto você fazia carinho em minhas coxas.
Quero sorrir ao lembrar da sua história baseada em penas coloridas e uma tarde na praia enquanto ouvíamos Jack Johnson.
Quero gargalhar ao lembrar de como você fazia eu rir alto e frouxo. Quero nunca me esquecer de como com aquela meia luz você ficava ainda mais lindo do que já é.
Quero guardar o sorriso que você deu antes do nosso último beijo. Quero escrever por aí como é engraçado ver as formigas, todas andando em fila carregando suas pequenas folhas, e como você disse que eu não deveria tocar nelas.
Quero lembrar de como você me tocou ao ver que eu estava longe dos teus olhos.
Quero mais uma vez correr, gritar para todos os arranha céus "Mas sou eu quem te Ama!" 
Mas assim, enquanto meus pensamentos correm, eu só sei dizer que "quero", e não que apenas "quero lembrar"; tudo porque essa situação é bem mais difícil do que parece... Eu vejo o tudo girar e você não está mais aqui; eu não ouço mais as suas reclamações sem fundamento, e nem me irrito por saber que terei que te acordar e isso é a coisa mais difícil do mundo. Eu não ouço mais suas leituras, não invento mais poemas com você e nem converso com você apenas sussurrando.
Para cada lugar que eu olho você está lá, você foi a suma da minha mudança e eu acabei negativa.
Eu só queria poder fazer tudo de novo, mas ao mesmo tempo, eu queria que os céus tirassem de mim esse querer, queria que eles tivessem pena de como eu tenho sofrido com a sua ausência.
Queria que alguém me ensinasse a apagar tudo, ou apenas esquecer. E viver uma vida onde você nunca existiu, onde tudo veio por mim, sem ajuda, sem somas.
Eu só queria reaprender a viver do mesmo jeito que eu vivia antes de você chegar, antes de você sorrir e tomar conta de todas as minhas madrugadas, antes de você ser a minha hora marcada de ir a padaria.
Voltar a fita, retroceder e caminhar de novo. Só isso.

Andresa Violeta Alvez