Da falta das asas

Eu queria que alguém entendesse como esse "deixe ir" dói. 
Principalmente quando o "deixar" não é uma opção sua.
Oh Céus, como eu queria adormecer só mais uma vez nesses braços.
Os ombros com ossos expostos, 
o pescoço coberto de pequenos sinais, os olhos miúdos.
Mas minha única companhia nesse piso frio é a minha dor. 
Essa nunca se vai, sempre fica. 
Do meu lado esquerdo.
Olho secretamente todas suas fotos, 
principalmente as que me destes, 
ouço sua voz e tento imaginar que estás fora, por aí, andando, 
ou apoiado em alguma mesa.
Eu ainda oro em meio as minhas lágrimas pedindo que um dia, quem sabe, talvez, 
você me faça ser sua; 
sem as vestes, apenas com a minha pele e a sua.
Meu coração pesa. 
E eu gostaria que o tempo passasse.

Andresa Violeta Alvez