Pra uma vida inteira

Eu caminhava apressadamente, mesmo sabendo que não poderia fazer isso. Meu foco era o banheiro feminino, único lugar onde eu estaria salva naquela manhã gelada de sábado.
Os passos do sapato de couro preto tilintavam no piso, logo atrás de mim, eu estava tão atenta, que conseguia até ouvir qual parte do chão estava oca ou não.
- Vem aqui! - Ele dizia num sussurro, ao mesmo tempo que soltava gargalhadas!
- Não, não! - Eu respondia enquanto marchava até meu destino; ao chegar neste, empurrei a porta e fiquei atrás dela, ouvindo a pequena mão de unhas ruídas bater na madeira velha.
Respirei fundo. Eu sabia o que eu queria, eu tinha certeza; mas eu era muito nova, e tinha medo de muitas coisas, principalmente, de beijá-lo.
Abri a porta e perguntei: - Diga logo, o que você quer? -
- Um beijo, só um beijo! - Ele afirmou, com seus olhos castanhos arregalados!
Coloquei o rosto para fora, verifiquei se não havia mais ninguém em volta. Segurei seu rosto magro, pousando minhas mãos frias em seu maxilar e coloquei meus lábios junto aos dele. Rápido, inocente.
- Vá, vá embora daqui! - Disse tentando esconder meu sorriso. Ele sorriu de volta e saiu correndo.
O tempo passou tão rapidamente, fazendo fugir das minhas mãos todas as chances; é como se eu não tivesse mais nada... Lembro tão perfeitamente de todas as tardes que passamos juntos, de como cada toque era tão especial, tão genuíno. Como escondíamos nossas mãos para deixar elas sempre perto uma da outra, como caminhávamos de braços dados.
Ainda temos centenas de dias para a sua última decisão, espero que esta seja sábia.

Andresa Violeta Alvez