Todos os meus nomes

Já fui Sonho,
Até que um dia fui Fato,
Nessa época, médicos
Me chamaram de Feto
Mas, meus pais, de Bebê
Quando vi a luz,
Deram-me um nome,
Em batismo, por mera formalidade
Porque todos me chamavam
Dos mais variados apelidos
A maioria, no diminutivo
Já fui Fofinho, Bochechudinho,
Menininho, Já Está Um Mocinho,
Até que então, no meio da rua,
Me gritaram por Moleque,
Depois Jovem, Mano, Cara
E quando dei por mim,
Chamaram-me de Rapaz,
Aí virei Amorzinho, Querido
Pouco depois, fui Marido
E daí pra Senhor foi apenas o passo
Do tempo que voando passou
Lembro-me bem do dia
Que pela primeira vez
Me chamaram de Papai,
Depois, só Pai,
Isso quando a criançada
Já me chamava de Tio
Hoje, pensando bem,
Nem vi bem o momento
Que fui de Cara a Coroa
Mas, parece que foi ontem
Há pouco tempo
Virei Terceira Idade,
E assim, na melhor idade
Me chamam de Vovô
Breve, um dia me chamarão
De Corpo ou Defunto,
Mas, na lembrança daqueles
Que em vida me quiseram bem,
Virarei Saudoso, amém!

Celso Garcia