De quem é a culpa?

O balanço passa a tarde parado
O escorregador, esquecido, enferruja
A gangorra apodrece na praça vazia
Ninguém mais faz pique nas árvores
Nenhum riso de criança se ouvia

Nas ruas, apenas carros, ônibus, motos
Nem sinal daquelas peladas de futebol
Meio de campo riscado a giz
Chinelos que viram traves, dois times
Com camisa e sem camisa, e sem juiz

Por onde andam os sete marinheiros?
O elefantinho colorido? O caminhão de laranja?
A ciranda não roda mais? Ninguém se esconde-esconde?
Cadê o pega-pega, a queimada, o corre-corre?
Alguém pergunta “que mês”, ninguém responde

E olha que o dia está lindo, lá fora
As ruas ainda existem, as praças também
Mas, algo mudou em algum momento
A cidade ficou mais triste, mais séria
Não é culpa de ninguém, só do tempo

Celso Garcia