Água Salgada

Você segurava firme minha mão. Não me deixava ir muito para perto da água do mar. Dizia que, por minha falta de equilíbrio era perigoso eu cair.
Sua mão branca, suja de areia e sustentando algumas pequenas conchas se entrelaçava a minha.
Parecíamos duas crianças. É claro, a inocência entre nós dois era nula, porém, quem visse uma cena tão doce quanto essa, acreditaria que éramos crianças.
O sol já estava se pondo, mas você não queria ir embora, e muito menos eu.
Quando alguém dava a idéia de recolher tudo e voltar para a casa, você mostrava seu sorriso e pedia “por favor” para ficarmos mais um pouco.
E assim, nos rendíamos. Não tinha como dizer não para você. Ninguém sabia dizer não a você.
Lembro do seu sorriso a cada conchinha que encontravas. Lembro de às vezes, querer ver algumas pedrinhas que ficavam perto da água, e você as buscava para mim. Lembro do modo que você me olhava. Lembro dos seus olhos, do cheiro do bronzeador na sua pele, de seus cabelos mal pintados *por mim* molhados...
A felicidade se resumia àquilo. A felicidade, naquela tarde, era aquilo.
Eu queria poder voltar. Não precisava ser para aquele dia, só naquele momento me bastava.
Só sentir a água gelada nos meus pés, as conchinhas no bolso do meu shorts.
E sua mão, branca, suja de areia e entrelaçada na minha.
Eu só queria isso. Eu só preciso disso.

Andresa Alvez