Nas Pontas dos Dedos

Estava na casa da minha tia em Japeri. Lá nunca tem muito que fazer, então fui jogar com meus primos “queimado” na rua. Iniciamos a brincadeira e numa tentativa de acertar a mim, um deles joga a bola com toda a força. Passa direto. Como não tinha ninguém “morto”, fui correndo pega-la. Já me aproximando da bola, você surge. Surpreso com seu aparecimento, pergunto: O que está fazendo aqui? Sem responder, Você me beija... Momentos depois, estou novamente brincando com meus primos. 
Perco-me, e procurando-te, o vejo abraçado com B.W. Vocês pareciam felizes. Envolviam-se num momento tão intimo, bonito, tanto que coragem de interromper não tive. Olhavam-se com uma ligação quase tocável por meus dedos curiosos. Lembro-me de você dizendo que um para o outro foram feitos e apesar de viverem brigados, nada os separariam uma vez que se amem. Não fui procurar saber o porquê daquilo, apesar de no sonho você está comigo. Fiquei ali a observar a beleza do estar junto a dois. Fiquei ali... A pensar na verdade momentânea que me passava pelos olhos da imaginação. Era o que me cabia, e foi assim até acordar.

Sandro Aragão