Eu contra a cidade

Quis sujar teus muros
Romper tuas grades
Gritar contra tuas paredes
Quebrar teus vidros
Trespassar teus portões
Deixar-te nua e crua

Quis arrancar teu concreto a unha
Avançar teus semáforos
Que me dizem pare!
Cegar tuas luzes
E fazer-te noite
Pra enfim, dormir

Quis calar tuas sirenes
Parar teus carros e aviões
Frear tua pressa constante
Cercar-te na esquina
E te mostrar quem é o mais forte
(mesmo sabendo não ser eu)

Quis me encontrar
No meio de tantos rostos
E corpos que cruzam meu caminho
Saber quem tu eras pra te vencer
Mas me disseste, simplesmente,
Conhece-te a ti mesmo e me deixe viver

Celso Garcia