Ela e a chuva

Ela se foi
Levou-me de mim
Restaram meus restos
Ela, antes bendita
Minha bem amada
Agora, bandida

Imagino-a lá fora
Sob a chuva que cai
Vejo-a através da janela
Entre as gotas que escorrem
E escondem por instantes
Sentimentos que não morrem

Cai chuva
Lava a rua
Lava as lembranças
Turva a visão
Enxarca os sentidos
Afoga essa paixão

Depois, chuva,
Te acalma
Deixa vir a bonança
Evapora junto com essa dor
Leva contigo aquela
A quem um dia dei meu amor

Celso Garcia