Inerte

Eu jurei que encheria de palavras este diário
Feito o do ano passado.
Que colaria fotos e lembranças
E mágoas e demônios.
Mas agora que não há Amor
Quero dizer, de homem
Não há também latim, nem precipícios
Nem frutas nem velórios
Não há porquês
Nem o ano terá trezentos e sessenta e cinco dias.
Restam apenas as brasas de nós dois
As linhas vazias e muros em branco
E tantos, tantos ensaios
De um jovem poeta de merda
Que vive de Saudades e invernos
Nesta inerte pensão dentro de mim.

Claudio Rizzih