Tire o ar de mim

E pela primeira vez na vida, a cada segundo que respiro, meu peito dói. É como se tivesse muito ar por aqui. E ninguém pra respirar comigo. 
É, talvez seja isso, a eterna e sedenta vontade que meu corpo tem de dividir. Desde um pão doce até todo o oxigênio que existe ao meu redor. 
Parece que ele grita de dentro pra fora: “Andresa, você não pode ficar sozinha!” 
E meus ouvidos tentam se fechar, já que tantos falam o contrário do que meu corpo tenta dizer. 
Mas, minhas mãos tentam abri-los. E sua voz entra neles tirando toda a surdez ignorante que colocaram em mim. E por conta de tantas palavras, meu corpo acaba se confundindo. Quando meu dou conta, meu coração já está acelerado, eu não sei para onde ir e pronto: A terrível falta de ar. 
Tem ar demais aqui. Tem ar demais em todo lugar. 
Tem ar demais para uma pessoa só respirar aqui. 
E o pior de tudo, é que não sei mais quando é duas ruas, a cidade do lado, a cidade em quase outro estado... Eu não sei mais, o meu corpo não sabe mais. 
E por isso tem sido tão difícil respirar todo esse ar. 
Eu só queria alguém para dividir pães doces, uma cama, o espaço em baixo do chuveiro, um palco e o mesmo ar. Eu queria que você fizesse o meu peito parar de doer.

Andresa Alvez