Por amar...

Por amar eu atravesso as mais difíceis muralhas que pode encontrar a existência humana. E não são poucas. E não são simples. Geralmente em nossas vidas encontramos mais barreiras que vales por onde poderíamos correr como fazem as crianças em suas brincadeiras ao ar livre. O mais importante - ao menos para mim - é ter em mente que após o muro que insisto em transpor, existe um vale onde a felicidade não foge de nossas mãos. Neste vale, as alegrias da vida não são sentimentos palpáveis, materialistas. O que nos faz feliz se mistura à totalidade dos nossos seres.
Por amar eu vou aos céus para trazer para ti a mais brilhante das estrelas, aquela que sempre encanta teus olhos, fazendo-os refletir a luz que dela chega. Aliás, o céu é a criação que consegue verdadeiramente unir duas pessoas que muito se amam, mas que estão distantes pelas circunstâncias da vida. A estrela que se enxerga daqui pode ser vista de igual modo em outro canto. Assim, quando duas pessoas olham ao mesmo tempo para a mesma estrela, seus corações, certamente, é que estão procurando se unir, se ligar num laço eterno e indissolúvel. 
Por amar eu mudo a ótica com a qual enxergo propriamente a minha vida. Só se consegue entender plenamente o amor quando se é capaz de compreender que amar não é renunciar a algo que se gosta muito na vida, mas em fazer com que isto possa conviver com aquela vida que completa nosso ser e nos faz mais feliz. Talvez a coisa mais difícil para qualquer humano seja se permitir viver um amor, doando-se. Tantos são os tombos, e tão profundas as feridas, que vamos criando armaduras. Colocar outros aspectos de nossa existência em primeiro plano é apenas mais uma dessas couraças com a qual nos vestimos para sentirmo-nos protegidos. 
Por amar eu consigo escrever versos e prosas que poderão alcançar muitos corações, sem que estes saibam que tudo aquilo foi escrito para atingir apenas os sentimentos de quem eu amo, sem intenção de ver isto transformado em hinos pelas pessoas que venham a ler. Os grandes poetas e os maiores dramaturgos não pensavam no mundo quando colocaram no papel as mais tocantes expressões para o amor. Eles tinham suas musas, pessoas muitas vezes descompassadas, cuja complicada vida fazia todo sentido do mundo aos olhos deles. Só deles... 
Tantas coisas, não? A verdade é que só somos capazes de tudo isso porque existe em cada um de nós a esperança de saber que podem existir barreiras - e o céu estar bastante nublado - que o amor ainda assim existirá. Pode ser que cada um tenha que seguir sua vida, ou mesmo que não consigamos escrever uma linha sequer quando estamos amando, mas ainda assim, nosso coração jamais nos permitirá que passemos pela vida sem sentir a alegria e a dor de ter um verdadeiro amor. 
É só não se fechar. Basta apenas se permitir amar!

Leonardo Távora