"Libertas..."

Liberdade é talvez o maior dos desejos humanos. Mas nem sempre é o mais evidente. Na verdade, só nos damos conta de como é importante ser livre quando nos vemos cerceados desta virtude. Muitas vezes, os impedimentos á liberdade humana não se dão de modo aparente, em lugares físicos, mas sim nas sutilezas da vida. Só então somos capazes de reconhecer o quão importante é esta palavra e o sentimento que ela carrega consigo.
As prisões do mundo são muitas, mas nenhuma é tão ruim quanto a que se dá dentro de nós. Nem mesmo a mais famosa cadeia é capaz de ser tão danosa quanto a falta da liberdade que existe dentro de cada um. Esta sim é capaz de transformar o homem em algo de difícil reconhecimento. Ficamos apenas nos retalhos da vida. Sobrevivemos, dia-a-dia, mas não vivemos, porque viver é diferente de apenas existir. A vida implica estar bem consigo mesmo, e sem ser livre isso não é possível. 
Bradamos a liberdade em bandeiras, brasões, obras de arte... Mas não somos capazes de garanti-la a quem mais importa: Nós mesmos. Somos reféns de escolhas, e disso não há como fugir. Quando escolhemos algo errado, precisamos enfrentar as consequências das nossas ações, mas não está escrito em lugar algum que devemos pagar eternamente por escolher mal. O maior poder do ser humano é poder pensar e escolher novamente, não apagando a decisão no rumo errado, mas corrigindo essa rota, na incessante tentativa de melhorar. 
Destino nada mais é que a consequência de nossas decisões. Então, se decidirmos por caminhar diferente, as estradas serão outras. É como se nos encontrássemos sempre diante de uma bifurcação à nossa frente. Existe lá uma placa apontando o caminho que nos mantém no rumo do que já traçamos. Mas a escolha é nossa. Podemos inventar de ir pelo outro lado, e aquele pode ser um atalho, ou uma trilha completamente diferente daquela que abandonamos. 
Assim somos livres. Esse é o verdadeiro sentimento de liberdade que existe dentro de cada um de nós. Quando decidimos viver em sociedade, perdemos parte desse direito, em prol do que se acha melhor para o todo. Mas ainda assim temos nosso indevassável nível de liberdade individual. Algo que não se deve permitir perder, e só perdemos quando deixamos que outra pessoa tome para si o governo de nossas vidas. 
Somos, sim, indivíduos sociais. Mas isso não significa que nos entregamos ao ponto de permitirmos que nos digam como deve ser nossa existência. Quando se perde essa liberdade, se perde o sentido de viver. Apenas quando entendemos que somos associados, e não dominantes e dominados, somos capazes de compreender que não há sentido emitir opinião sobre o modo como cada um manda em si mesmo. 
Se nós somos capazes de escolher se pequi é um alimento bom ou ruim, ou se convém comer frituras ao invés de salada, somos capazes de escolher por quais caminhos queremos andar. Jamais permita que te digam como viver sua vida, pois você é a única pessoa que sofre as consequências do que decide. O certo e o errado são dois lados de uma moeda que nós jogamos quando escolhemos o que fazer. 
Liberdade é vida. A falta dela é a perda do sentido de estarmos no mundo, dias e noites, sentindo a dor e a alegria de sermos quem somos.

Leonardo Távora