Despedida: Os Dois Lados De Uma Palavra

Dar um Adeus. Horas depois dar um novo Olá.
Seguir. Ou regredir, não importa. Esses são os dois lados da despedida.
Ao mesmo tempo em que se chora, se sorri, quer voltar, quer o passado, ou apenas, se precisa do “ninho”.
Pássaros não voltam para o ninho depois que aprendem a voar. Mas nós, mesmo voando, não somos pássaros, e diferente deles, às vezes, precisamos voltar.
Ora por necessidade, ora por acaso da vida. Mas não importa a situação, deixar para trás algo que fez parte da nossa convivência sempre é muito dolorido.
Somos como flores de beira de estrada: Em qualquer terra, brotamos. Criamos raízes de uma maneira muito rápida, e depois, para arrancá-las se torna complicado.
E nossas raízes se ligam a outras antigas que já estavam ali, quando nos damos conta: Já pertencemos a tudo.
Não é culpa nossa. É culpa do coração! Que sempre Ama muito rápido, que sempre descansa seguro em um porto qualquer.
E por mais que novo chame tanto a atenção, a Saudade do “velho” permanece lá, intacta, mas a vontade de ficar também. É confuso e contraditório, quase como tudo na vida.
Eu já tive que deixar muita coisa pra trás. No meio desse meu longo caminho, esbarrei em pessoas que queria poder levar comigo, do meu lado, pra sempre, mas o único modo de tê-las por perto, é guardando-as dentro de mim...
Fico a imaginar como deve ser quem vive de despedidas.
Artistas, viajantes, nômades, enfim, pessoas que vivem se deslocando... Se despedir dói, deixar uma vida pra trás, por mais curta que ela tenha sido dói, e muito!
Desenraizar tudo, juntar os pedacinhos, as lembranças. Fazer mais uma vez as malas e seguir. Ou voltar.
E então, vem o medo, a insegurança, a dor. Mas volta a felicidade, a vontade, o desejo.
No caso, o pássaro precisa voltar para o ninho, por tempo determinado. E logo depois, seguir com seu vôo para outros pontos do litoral.
Mostrar seu cantar. Cantar pro mar.
E então, se despede de novo. E chora, e se lamenta. Mas por dentro, se sorri e se orgulha do que conquistou. Do que pertence a ele por mérito.
E num abraço, agora um pouco mais apertado e demorado, misturamos tudo o que sentimos, é igual.
Vive os dois lados da despedida, mas não deixa nunca, que nenhum deles te impeça de seguir.
Vai meu pássaro. Canta, canta alto pra eu ouvir daqui.

Andresa Alvez