Aqui

- Eu percebi que tem muitos casais aqui. É diferente. Não sei se eu dou muito certo me relacionando Amorosamente com artistas. E olha que já tentei muito. Prefiro alguém de outra área.
- Pois é. Mas vivemos juntos o tempo todo. Somos só nós. Muitos Amores nascem aqui.
- Eu não sei se seria bom pra mim. Sempre fui nômade. Para aonde a arte me chamou eu fugi.
- Pois é. A arte chama a todo instante, normal, como sempre.- E eles costumam ir?
- Sim.
- Mas... E o outro que fica? E a história do casal?
- Ué... Termina. O outro fica. Foi assim comigo, com eles. Acaba.
 
E silêncio.
O meu silêncio.
 
- E se começássemos uma história de Amor. Como seria?
- Bom, é... (risos e silêncio)
- Eu junto os restos de alguns “eu vou te Amar pra sempre” que não deram certo por aí, pra te Amar um pouquinho mais que pra Sempre. Até quando durar. O que acha?
- Mas e se não durar?
- Ah, sei lá. Ás vezes eu acho que o Amor não precisa durar. Precisa ser. Se foi alguma coisa, não importa quanto durou.
- Você me Ama?
- Tem algumas horas. Não percebeu?
-...
- Você é muito seguro das coisas que quer.
- E você não.
- Eu vou embora. Pretendo ficar aqui um bom tempo. Um ano, talvez. Mas vou embora.
- Um ano não é um “bom tempo”.
- Pois é o pra Sempre que eu posso te Amar. Quer?

E silêncios.
Pois haverá sempre um silêncio no inexorável das palavras.
 
Claudio Rizzih