Falando de amor através das músicas!!

O amor é um dos mais importantes sentimentos que move o homem. Não apenas porque une duas pessoas e afasta a solidão, quando expressão da verdade, mas, principalmente, por nos levar a um estado de felicidade gratuita, que geralmente encontra solo fértil nos corações de quem está amando. Não é fácil dizer a alguem que amamos. Talvez essa seja a frase mais difícil das nossas vidas. É mais seguro, algumas vezes, manter esse sentimento bem guardado dentro de nós.
As músicas, por diversas vezes, falam nada menos que do amor. Tratam desse sentimento especial que nos une e que nos faz especialmente contentes. Através da análise de três canções, vamos viajar num mundo de aventuras, onde o amor é não apenas uma palavra, mas um nobre sentimento, que nos une e nos faz entender que cada novo dia é um recomeço, uma descoberta, e que podemos (e devemos) ser felizes, seja amando, seja vivendo pela opção de ser só, mas sempre deixando bem claro para nós mesmo que este foi o caminho que escolhemos seguir.
Começaremos a falar de amor com Nara Leão e “O que será (Àflor da pele)”. Aí temos um chamado ao amor. Chamado íntimo, quando nosso coração fala alto, mas só nós podemos ouvi-lo. É o tempo da conquista, do olhar 43, dos sorrisos discretos. É para pensarmos mesmo o que será que nos dá, que mexe conosco, nos faz ficarmos com medo, com vergonha, mas doidos para encararmos e vivermos uma coisa que parece não passar de uma grande loucura. Não tem remédio, nem limite. Perturba nosso sono, tira completamente nossa atenção.
É o que nos faz perder o juízo. Isso tudo nada mais é que um estado de paixão, inquietante, fogoso, irremediável sim. Quando sentimos todos estes sintomas, nem é preciso de um médico para atestar o que é óbvio. Estamos apaixonados. Certamente essa paixão, fullgás, efêmera, tórrida vai se acalmar e dar lugar ao amor, que é mais pacífico, mais sublime, menos efervescente. Sempre mais conciliador e calmo, que acredita e confia na pessoa amada, pois o amor, ao contrário da paixão, não é dado ao ciúme e à cobrança. Amamos, e isto basta para sermos felizes.
É aí que sentimos o mesmo que Tom Jobim sentiu quando escreveu “Luiza”. Alguns podem falar que esta música fala de um amor solitário, pois a Luiza, na verdade, nunca amou Tom. Sempre tratou com desdém esse sentimento que ele nutriu por ela. E por isso a música assume um ar melancólico. Na verdade, fala unicamente de um belo sonho de amor. Neste sonho, Luiza não tinha medo de se entregar ao seu amado Tom. Eles estão alí, numa bela noite, com o céu muito bonito e uma lua que parece flutuar como pano de fundo.
Se no início Tom diz que quer esquecer Luiza, logo depois ele a chama para que os dois caminhem juntos nesse sonho apaixonado. Isso nos mostra nada menos que as idas e vindas que o amor provoca. Ao mesmo tempo em que pensamos em esquecer por completo quem amamos, queremos tão somente que esse alguém venha e nos leve para, sei lá, a lua. É nada mais nada menos que o vai e vem que toda relação amorosa apresenta.
E chegamos à parte mais difícil da trajetória do amor. Aquela que ninguém gostaria de enfrentar. O final. Em “Samba do Grande Amor”, Chico Buarque fala nada menos que disso. É o fim de um amor que o amargura e que o faz tão desiludido com a vida. Por isso ele escreve o que acha ser verdade, que fora um tolo ao entregar seu coração àquela que não o merecia. É, na verdade, o que todos sentimos quando se acaba um relacionamento. Quem nunca chorou ao perder um grande amor? Só mesmo os que nunca amaram.
Chico dá risadas, quando a vontade dele é chorar. Sente isso não porque é um fraco, mas porque seu coração o traiu, o iludiu, colocando uma mentira diante de si. E ele embarcou, achou que fosse verdade, que o sentimento fosse bom. Talvez esse romance tenha terminado com brigas e toda sorte de problemas. E isso machuca muito, sobretudo os romanticos, que insistem em se jogar rumo ao desconhecido e pisar no solo instável da paixão. Quando se cai, a dor é grande, e a amargura costuma se apoderar das pessoas.
O amor é bom, mas provoca certo pânico nas pessoas. Talvez façamos isso por medo de não ver esse amor ressoar em nossa direção, assim como o mandamos. É medo de sofrer. Mas só pode sofrer aquele coração que se lança à realidade das coisas. Amar e ser amado é o que todos queremos. Precisamos de alguém que nos conforte e nos faça feliz, tanto quanto queremos fazer alguém feliz. As pedras desse caminho fazem parte dele. É a vida. Não que ela tenha razão, mas é ela quem nos ensina a sermos melhores conosco para podermos ser bons para os outros. Um dia chega um amor que ficará para sempre. Sempre chega. Para todo mundo.