Música que encanta: "Ser Poeta"

Escrever, falar e cantar o amor é algo que nem todos conseguem, ainda que muitos, de algum modo diverso, o consigam sentir. Hoje, o Literatura Exposta abre espaço para uma poetiza portuguesa que falou exatamente o reflexo dos que vivem de escrever. Seu reconhecimento nos dias em que vivemos é algo que ela mesma não teve quando viva. Por isso, faço questão de trazer uma de suas poesias, transformada em canção na voz brilhante de Sara Tavares, e que deveria ser o hino dos poetas. 
Boa leitura!

Ser Poeta 
Florbela Espanca 

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior 
Do que os homens! Morder como quem beija! 
É ser mendigo e dar como quem seja 
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! 

É ter de mil desejos o esplendor 
E não saber sequer que se deseja! 
É ter cá dentro um astro que flameja, 
É ter garras e asas de condor! 

É ter fome, é ter sede de Infinito! 
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim... 
É condensar o mundo num só grito! 

E é amar-te, assim perdidamente... 
É seres alma, e sangue, e vida em mim 
E dizê-lo cantando a toda a gente! 

"Florbela d'Alma da Conceição Espanca tem hoje seus versos admirados em todos os cantos do mundo, diferentemente do que aconteceu quando ainda viva, época em que foi praticamente ignorada pelos apreciadores da poesia e pelos críticos de então. Os dois livros que publicou, por sua conta, em vida, foram "O Livro das Mágoas" (1919) e "Livro de "Sóror Saudade" (1923). Às vésperas da publicação de seu livro "Charneca em Flor", em dezembro de 1930, Florbela pôs fim à sua vida. Tal ato de desespero fez com que o público se interessasse pelo livro e passasse a conhecer melhor a sua obra. Dizem os críticos que a polêmica e o encantamento de seus versos é devida à carga romântica e juvenil de seus poemas, que têm como interlocutor principal o universo masculino. "
Texto extraído do livro "Sonetos", Bertrand Brasil - Rio de Janeiro, 2002, pág. 118

Sem dúvidas, um talento que está marcado na história do mundo! 

Leonardo Távora