As belezas pela internet: "Os sinos sempre me deixam"

Amigos, chemgamos ao mês de junho. E ao 1º aniversário do Literatura Exposta. Este é um dos tesouros que tenho na vida, certamente. Posso me lembrar das palavras do meu amigo, Cláudio Rizzih, que me encorajavam sobremaneira a cada clique que ajudou na criação deste espaço. "Não custa mostrar", ele dizia. Artista de alma e coração, este grande amigo sabia o que estava falando, ainda que disso não tivesse noção. Então criei. E, em um ano, são quase 3000 visualizações. Nada mal para o primeiro ano deste espaço que é feito para pessoas que curtem ler, pois é dificil ler coisas grandes pela tel de um computador.
Este mês o texto escolhido vem de uma blogueira que escreve com o coração nas pontas dos dedos. Trata-se de Dayana Nóbrega, do blog Lemon Drops, que escreve coisas incríveis, sentimentos traduzidos em palavras. E que palavras estas que ela coloca lá. Vale a pena conferir não apenas este texto, mas todos os que estão lá no blog dela. Trata-se de um texto proprio pra internet. Curtinho, e cheio de encantamento.
Boa leitura:

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Os sinos sempre me deixam

Eu sento cansada do dia de hoje e em seguida deito meu corpo no chão, com os olhos fechados. O vento corre por mim e pelos sinos. Os sinos soam, e deixam-me ser. Deixam-me ser livre, deixam-me ser simples, deixam-me ser eu.
Pisco os olhos, e, por impulso, abro-os de novo em uma sensação de ter visto algo incomum. Vejo céu, vejo estrelas, vejo sonho. Mergulho no infinito escuro com e pontinhos de estrelas que fazem meus olhos brilhar, com um vento que me arrasta e me faz voar, com sinos que sussurram sorrisos ao pé do meu ouvido. Posso sentir o gosto do alto, posso sentir o cheiro do utópico, sou tomada pela deliciosa sensação do impossível, me encho de mim mesma e permito meu corpo agir conforme sua vontade. Levanto-me e danço sob as estrelas, bailo ao soar dos sinos, sinto você aqui e sorrio.
O céu clareia, o infinito ganha cor e meu corpo ganha peso. Eu me deito novamente e fecho os olhos devagar. O sorriso fica, o vento passa. E os sinos? Ah, os sinos sempre me deixam. Me deixam com saudade, me deixam com vontade. Mas eles voltam, eles voltam com o vento trazendo o infinito pra mim, trazendo um sonho pra nós dois.