Aquilo que está no meu coração

Eu queria ter o poder de mover as coisas, para que eu pudesse acabar com a distância que separa corações, e que me impede de ajudar a quem eu tanto prezo. Mas não adianta pensar no que queríamos. O fato é que existem sentimentos para os quais se impõem barreiras que algumas pessoas julgam intransponíveis. Mas eu digo que não são insuperáveis, desde que o que temos dentro de nós é verdadeiro. Talvez não possamos enxergar saídas quando estamos tristes, ou vemos grandes dificuldades, mas elas existem.
Não adianta você brigar com seu coração, quando ele tem certeza da verdade que carrega em si. É inútil. Podem se passar anos, e você viver de se enganar. O sentimento estará sempre ali, contigo. Porque quando a base de qualquer coisa é sólida, firme, você pode mentir para sua mente, e fazê-la acreditar que tudo o que sentiu por alguém era mentira. Sua mente vai entender, mas o coração, como não é racional, e bate no ritmo dos sentimentos, jamais aceitará.
Daí existe duas saídas: Ou se vive brigando consigo mesmo, procurando aventuras de qualquer ordem, e existir sem viver, ou se faz um acordo com o coração. Nesse acordo devem estar bem claras todas as regras. Não se brigará mais com o sentimento que se tem. Ele fica ali, guardado, até porque é seu e de ti ninguém tira. Mas seu coração fica obrigado a não te machucar tanto quando outro sentimento, certamente menor que o que se tem, quiser ali entrar. Ele não pode gritar que não quer o invasor. Mas também não é obrigado a matar o hospedeiro de muito tempo para dar lugar ao novo ocupante.
Só tem um senão nisso tudo aí. O coração não é um bom cumpridor de acordos. Quando apenas sentimos, somos capazes de correr riscos, e enfrentar leões com fome de alguns dias, pois nos acreditamos invencíveis de tão fortes e bravios. Só que somos apenas humanos. E estes seres erram, falam demais em alguns momentos, principalmente quando deixam seu coração assumir o controle da boca. Somos falhos. Somos frágeis. Mesmo o mais forte dos homens tem um ponto que o desmonta por completo. Não existe alguém que seja um escudo de aço inoxidável.
Eu bem que queria ver o mundo menor, para que, com um salto eu pudesse ir e proteger quem eu tanto gosto. Mas não é assim. Somos apenas formiguinhas. Não temos poderes sobrenaturais de cura e proteção. Somos como bobos nesta festa chamada vida. Dela muito pouco nós sabemos. Mas, como um oleiro, um construtor de vasos de barros, que não desiste até ver sua obra pronta, completa, que é admirada por todos como arte, eu não desisto daquilo que acredito e quem gosto. Posso não mover o mundo, acabar com distâncias, curar corações, proteger quem tanto gosto de perigos... Mas, enquanto houver em mim a vida, e eu tiver forças, lutarei no meu campo de batalhas por aquilo que está dentro do meu coração.

Leonardo Távora