Um mês,algumas palavras e muitas manchas pretas na tela




É exatamente o tempo que dura, o tempo que pedi que não fosse cumprido, o tempo que implorei que não passasse, o tempo que lamuriei que ia ser diferente, o tempo que supliquei que não ocorresse e enfim, o tempo em que tudo que quase começou se findou.

Sim, um mês é a total comprovação da Lei de Murphy, que pena ele ser tão presente em uma vida, seguir tanto uma trajetória, a teoria dos que não querem aceitar o destino, a vontade de que algo algum dia será diferente, a forma de encarar o futuro incerto e já sabido, sim o tempo conhecido mas não almejado no campo da física.

Promessas foram feitas, metas consolidadas, comprometimentos almejados, carinhos distribuídos, gestos realizados, para no fim nascer algo, romper o cotidiano monótono, ceder um pouco da individualidade de cada um para que a metade de um esbarrasse na do outro de forma a tornar um ser único.

Um mês nasceu, um mês cresceu, um mês morreu, isso mesmo, o que já foi conhecido nunca mais será recuperado, um tombo que se leva para que a subida seja ainda mais forte.

Que desabafo mais complexo, que texto digno de uma caneta vermelha na aula de redação, quantas palavras aleatórias para explicar algo que nem ao menos nasceu, uma gestação interrompida em meio a uma sucessão de abortos, mais um sentimento natimorto.

Palavras unidas no presente ato são desentendidas, não são reconhecidas em orações desconexas, ausentes de significados apenas para quem as lê, enorme de sentido para quem as escreve, ato de fortalecimento no momento em que despejadas em uma tela branca formando pequenas manchas pretas, também conhecidas como palavras.