Assumindo Proteção

Caminho através dos troncos finos de eucalipto, ouvindo apenas o vento, minha respiração e as batidas aceleradas de meu coração; meu órgão que sofre de ansiedade.
Ando armada. Com armas de brinquedo, ultrapassadas. Eu procuro por algo que eu ainda não sei o que é... Mas, eu busco atenção.
Meus pés pequenos chutam as pedrinhas, meus olhos atentos no chão para que eu não vacile e nem caia.
Alguns gravetos arranham minhas pernas, grudam em meu vestido rodado, nos meus cabelos; eu tento me desvencilhar deles, tento deixar tudo para trás. Eu apenas caminho.
Levanto meus olhos e percebo uma tempestade se formar, alguns raios riscam o céu e uma garoa fina começa a cair, apresso meu passo, seguindo um rumo do qual não conheço.
Por entre os eucaliptos eu vejo um campo aberto e vasto, neste não existem árvores... 
E com uma tempestade se formando, esse não seria o melhor lugar para eu estar, mas, havia alguém ali.
Baixo minhas armas e as coloco no chão, sei que elas não me serão úteis, caminho agora, lentamente.
Coço meus olhos e imagino ser um oásis ou algo do tipo, mas ao me aproximar, tenho a certeza de que não é uma ilusão.
Com receio, caminho ao redor do indivíduo e percebo que se trata da armadura de um samurai... Sandálias de ferro, lâminas protegiam seus joelhos, um avental também de ferro e couro lhe cobria das coxas até o peito; suas mãos estavam com luvas feitas de pele e as mesmas estavam unidas atrás de suas costas, uma espada estava presa ao lado de sua cintura.
Havia poeira em seus ombros; ele parecia estar ali a muito tempo.
Inúmeros detalhes e materiais cobriam seu corpo. Porém, no meio de tantas coisas, eu pude prestar atenção em duas únicas: Seus olhos e sua boca.
A parte final da armadura lhe protegia a cabeça, deixando a mostra apenas boca e olhos.
Além da minha respiração, eu ouvia a dele também.
- Olá? – Perguntei com receio. Ele sequer piscou.
Seus olhos escuros brilhavam e admiravam toda minhas extensão. Pensei em tocar sua armadura, mas, talvez essa não fosse uma boa ideia.
Ele só ficava ali, imóvel, apenas me observando...
Com meus olhos, varri todo o local ao nosso redor, nenhuma alma viva, absolutamente nada.
Voltei a encara-lo e esbocei um sorriso.
- Eu estou sozinha – Comecei a dizer enquanto me sentava no chão bem a sua frente – E estou com medo... Acho que posso ficar aqui com você... Posso? – E ele não respondeu nada.
Cruzei meus braços e fiquei pensativa por um segundo, enquanto sentia os pingos mais graúdos de chuva bater em meus ombros nus; ele permanecia de pé, firme como uma rocha, apenas me observando.
- Porque você me olha tanto? – Questionei, em vão.
Eu era a menina das perguntas.
- Já que você não diz nada, eu vou falar de mim. Você é a única coisa que pode me proteger aqui. - 
E, ao terminar minha frase, ele piscou rapidamente. Sorri de forma involuntária e comecei... Contei tantas coisas, tantas besteiras, bobagens; e ele ali, sem dizer uma única palavra ou se mover; uma fortaleza, e eu uma pequenina indefesa.
Eu não sabia o que estava procurando, e muito menos, onde estava. Mas, o que importava, era que eu estava segura, protegida.
Eu não sabia com quem estava, mas eu sabia o que eu sentia: Paz.

Andresa Violeta Alvez