13 Anos Depois...

Mania intrigante essa a minha de sempre andar de cabeça baixa. 
Faço isso para me desviar dos olhares das pessoas, e em raros casos, me desviar de alguns sorrisos. 
No final do corredor, uma mão branca de dedos magrelos balançava como se falasse “psiu, aqui, olha pra cá!” Mas, minha cabeça no turbilhão de pensamentos que se encontrava, se desligou de tudo. 
Até que finalmente ele decidiu me chamar. E pelo nome. 
Religuei meus pensamentos e levantei a cabeça, procurando rapidamente pelo som de estalar de dedos... Era ele. 
Sorri e caminhei apressadamente ao seu encontro. Fiquei em pé e parei bem em frente à suas pernas, coloquei as mãos no bolso e disse: - O que você quer? – 
Ele fez o pedido. Precisava da minha ajuda. 
Era o tipo de ajuda normal vinda dele. Trocávamos esses favores. 
Ele me tocava algo no violão pra eu sorrir, e eu cantava daquele jeito que o fazia ficar hipnotizado... 
A diferença, é que dessa vez, no final da frase, ele olhou fundo nos meus olhos e disse: - Por favor! Eu preciso de você! – 
P-R-E-C-I-S-A-R. Pode significar tanta coisa. Eu queria que tivesse um único significado. 
Queria que o corpo dele estivesse precisando de mim, e não apenas a voz. 
Apesar da confusão de pensamento em menos de um minuto, olhei para o seu sorriso e respondi prontamente: - Sim, pode contar comigo, prometo te ajudar! – 
Apertou meu braço num gesto de carinho e me soltou. Voltei a andar, mas mudei meu rumo para a sacada... Eu precisava dormir, colocar as idéias no lugar. RESPIRAR! 
Ele, com 27 anos na cara me têm nas mãos desde quando eu tinha 9 aninhos. 
As circunstâncias da vida nos afastaram. Não cantávamos mais. Não ensaiávamos mais sozinhos. Não existia mais “nós” e nem a palavra “amigos”. Tudo se perdeu. 
Agora, eu voltei. Tu voltou. Deixamos tanto pra trás nesses 7 meses em que ficamos sem se ver. 
E agora, me vens com um pedido desse. Como se não bastasse, no dia seguinte ainda me cobra duas vezes, para que eu não esqueça. Só falta implorar! 
Me beija o rosto e segura minha mão. Me olha enquanto eu choro e me sorri enquanto toca seu piano. 
Vida, não me coloque em mais uma emboscada. Não me prepare mais uma armadilha. Eu prometo ter cuidado com ele se ele tiver comigo. 
Eu só quero um sinal dos céus dizendo se eu posso Amá-lo ou não. Se eu devo me entregar àquele sorriso largo e voltar a ser o que fui um dia. 
Até esse sinal chegar, me faz ser forte, paciente, e não morrer a cada olhar dele. 
Me faz ficar em pé, completar solos e fazer ele se orgulhar de mim. Me faz ser o que ele espera de uma mulher. Me transforma. Faz ele ser meu.

Andresa Alvez