Daquela que não se fala

O inevitável ocorrerá
O homem impotente
Nu, desprotegido, frágil
Contra o leão da noite
O escuro, o invisível
Coragem e sonhos devorados
A carne se esvairá
Os ossos restarão
Mas o mundo,
Bem, o mundo seguirá em frente
Indiferente, implacável
Como se nada houvesse ocorrido
Misericórdia? Não!
Não haverá prece ou súplica
Ou máquina do tempo
Que impeça ou desfaça
Só haverá o nada
Ah, o nada!
A última coisa que resistirá
Ao tempo, ao fim, ao caos
O nada e seu silêncio
Um vazio de sentidos
De sentimentos
De vida devida, dívida
Eterna e impagável
Mas, agora, esqueça
Não pense nisso
Abra a janela
Está um dia lindo lá fora
Carpe diem

Celso Garcia