Por falar nelas

Existe um tipo de pessoa que merece todos os dias as nossas reverências. São das partes importantes da existência de cada um de nós. Sim, porque é fato que sem essas pessoas dificilmente estaríamos presentes, vivendo neste carrossel de loucuras chamado mundo. Estas pessoas são, não poucas vezes, o porto seguro de muita gente. Não falo aqui de finanças, mas do coração mesmo. Quando precisamos de carinho, são estas as pessoas a quem procuramos. Sim, falo das mulheres. Rainhas de um reino sem fronteiras. Donas dos nossos corações. Damas que iluminam os nossos pensamentos. Ainda que, nos dias de hoje, elas não tenham o tratamento que elas merecem, digno de sua realeza.
São elas os seres que, por amar demais, em algum momento da história, submeteram-se ao domínio masculino, e passaram tantos anos em lutas para conseguirem a condição de igualdade que jamais deveriam ter perdido. E ainda lutam... Foram muitos séculos de maus tratos dados às pessoas que tem talvez o maior poder do mundo: Criar uma vida. Claro, sem o homem, essa criação jamais aconteceria. Mas é parte da mulher conceber, esperar, parir, e, por vezes, sozinha cuidar e educar. Tarefinha difícil! Basta cada um de nós nos lembrarmos do trabalho que nós demos, mesmo sem querer, às maiores mulheres das nossas vidas: Nossas mães. Por aí já podemos notar o quão árduo é o trabalho delas.
Todos nós passamos pelo útero de uma mulher. Isso sem exceção. É a coisa mais certa do mundo. Tão certa quanto saber que todos um dia morreremos. A ciência ainda não conseguiu inventar outro modo de dar vida aos seres que nela vivem. Portanto a elas devemos nossas próprias vidas. Num mundo em que ninguém é melhor que ninguém, mas quer ser, a história viu inúmeras injustiças serem cometidas contra as mulheres. Foram escravizadas do pior modo possível, que é a escravidão da mente. Durante muitos anos passaram a viver nas sombras de seus homens, por vezes inclusive maltratadas. Quando se ouviu o grito de libertação, o maior adversário passou a ser não mais o homem, mas o preconceito, que fere a alma de qualquer um de nós.
Hoje, ainda que independente e arrimo de família, a mulher ainda não conquistou a igualdade no mercado de trabalho. Seja pela falta de força muscular, ou pela inevitável necessidade de afastamento do trabalho para conseguir suprir os primeiros meses de vida dos filhos, ainda hoje, no século XXI, a mulher ainda sofre o preconceito pela sua condição de mulher, simplesmente, e se vê menos valorizada que um homem que realiza exatamente a mesma função que ela. O mundo ainda precisa melhorar muito, e o respeito à pessoa humana é parte imprescindível disso. Não digo aqui de devamos idolatrar as mulheres, pois ninguém precisa disso, mas tratá-las em igualdade de condições e pensamento é algo que não me parece uma distorção da realidade. Deve ser o caminho natural do ser humano que vive em sociedade.
Uma mulher não é capaz de gerar sozinha uma vida. Tem o seu papel na gênese humana do mesmo modo que o homem. Tão importante quanto ele. Nem mais nem menos. Mas podemos dizer, sem dúvidas, que esta mesma mulher é capaz, com forças que não sei de onde vêm, de criar um filho sozinha, e torná-lo um ser humano melhor. Várias fazem isso mundo afora. Até mesmo as mais miudinhas viram gigantes quando precisam proteger do mal as suas proles. A estas guerreiras, fica aqui uma singela e justa homenagem. Importante como a água que mata nossa sede é a mulher, fonte das inspirações dos poetas. Talvez o ser mais capaz de provocar, com seus ensinamentos, um mundo melhor para todos nas gerações futuras.
Feliz dia internacional da mulher!