Teoria do Caos

“Uma borboleta batendo asas no Oceano Pacífico pode provocar um furacão no Oceano Atlântico.” Ao ler semelhante notícia no Caderno de Ciências, Dona Borboleta se indignou de tal forma que resolveu escrever uma carta ao jornal sob a forma de um lepidóptero poema, mais ou menos assim:
Prezado Editor-Chefe
Permita-me discordar
Nunca causei furacão
Nem nunca pretendo causar

Veja a seguinte história
Que agora vou contar
Uma borboleta bateu asas
Sobre uma flor de maracujá

Nela pousou faminta e
Sem saber o que era polinizar
Acabou polinizando
E dali um pé veio a brotar

Daquele pé, vieram frutos
Que João um dia foi apanhar
Colheu alguns e fez um suco
Pra poder se acalmar

Depois, com os nervos brandos
Girassóis ele foi comprar
E as levou até Maria
Que ao vê-lo teve que sentar

Ela, mãos tremendo, pernas bambas
Respirou fundo, pôs-se a pensar
E por fim, aceitou o pedido
E com João foi se casar

De Maria e João nasceu Helena
Que cresceu, foi estudar
Ganhou dinheiro, comprou fazenda
E ali quis se aposentar

Helena plantou girassol
Também plantou maracujá
E é aqui que hoje estou
A escrever e contestar

Todos falam de furacão
Poucos falam de amar
Felicidade não vende jornal?
É o que quero perguntar

Porque Helena começou
Com uma borboleta a voar
Tudo que suas asas causaram
São coisas pra se admirar

Celso Garcia