Dor de íris

Hoje a primeira frase direcionada a mim foi: Você está com um rosto tão triste. E eu não me sentia triste, muito menos estava externamente. Talvez o sentir interno de alguma forma estivesse refletindo fora, agindo sem nem mesmo eu sentir, e tão forte que pela película da face transbordava a dor. Mas... que dor? A de não ter? A de não ser? De querer?
Passei o dia refletindo sobre a tal frase. Olhei meus olhos: estavam negros. Sinto como se no meu sofrer, quando há, meus olhos se escondessem para que não pudessem ser vistos. Limitam-se em seu mundo de dor deixando-me às vezes de fora, me poupam de sofrer por ver o que só pode ser visto por eles... 

...Depois de entender, ah como eu gostaria que todas as dores fossem omitidas por meus olhos.

Sandro Aragão