Suprindo

Guiando-me pela mão, fomos até o último vagão do trem. No começo nossas expressões corporais não ajudavam em absolutamente nada. Uma lata de coca cola impedia de que eu ficasse mais perto de você. 
Abri meu coração, o que não é nada difícil se tratando de uma conversa como as nossas.
Pouco a pouco, eu vi você se desfazer, a armadura cair...
Ficamos longos dias sem se ver, o que acaba então fazendo toda a casca, armadura e o resto voltar para o lugar, escondendo a essência, escondendo o que supre de verdade.
No segundo momento, teu braço buscou meu ombro e eu seguraria aquela lata de coca cola o passeio todo se preciso fosse. Um encontro rápido de lábios aconteceu, provocando um choque, um arrepio, uma vontade de parar o tempo, de pausar aquele dia.
Tudo seguiu, continuou. Abraços incontáveis, beijos simples, carinhos. As mãos não se largavam.
O céu começou a se pintar de preto, o vento frio balançava as árvores e minha visão começava a ficar cada vez mais turva. Quem manda não usar óculos Srta. Miopia?
Teu tronco era meu refúgio, encolhia-me ali, sentia-me segura ali, diminuía o frio.
Depositou rapidamente seus objetos em minhas mãos e fui pega de surpresa. Pega pelos braços e presa pelos lábios. Um sorriso daqueles seus foi esboçado. Um sorriso daqueles meus que são seus foi esboçado também.
Já era noite e o sono me alcançava. Não me importava com ele. Teu antebraço era meu travesseiro.
Teus braços pareciam não querer soltar, tuas pupilas dilatadas me davam a certeza do gostar. Teu rosto era bom de beijar, de segurar.
Suspiros contidos e uma vontade de algo mais. 
Ocupei lugar no colo e o silêncio se fez. Aquele silêncio de quando alguém se vai.
Ainda lembro que você parecia não querer ir. Vai, pode confessar, aquele carro parecia bem melhor que qualquer lugar no mundo! Confesse!
Teus beijos e os toques leves era o que importava ali. Que o mundo lá fora explodisse, virasse pó. Eu te tinha nos meus braços.
E foi, depois de inúmeras despedidas.
Suspirei, aliviada.
Não quero pensar no depois, no amanhã ou nos teus pensamentos.
Fique, prometo que vai ser melhor assim. Desse jeito está melhor. Melhor pra nós dois.
Age naturalmente, esquece, não tira o trem dos trilhos, ele faz o caminho certo. Ele sabe fazer o caminho certo.
As pupilas dilatadas não mentem, o meu sorriso não esconde.

Andresa Alvez