Olhares da alma

Nem tudo na vida é imprescindível
Na verdade, a própria vida é algo perecível
E começa a se acabar assim que... Começa!
Não porque nos maltratamos
Mas porque isso é o ciclo de tudo
Nascemos. Poxa, que vitória! Né?
O choro inicial é apenas um dos tantos, imensos
Que teremos durante essa nossa jornada
Um grito de sobrevivência, inconsciente
Um clamor pela vida que apenas se inicia

Depois? Alegrias, tristezas... Amor
Ah, claro, também algumas boas amizades
Dessas que cruzam nossa vida e ficam “pra sempre”
Formamos o solo onde vamos pisar por toda vida
Um turbilhão de emoções vívidas, pululantes

E, de repente, tudo vai se acalmando
As coisas vão tomando seu lugar
Nossa vida vai chegando ao seu prumo
Há quem diga que vamos perdendo o encanto. Bobagem!
Apenas passamos a ver que tudo tem seu momento

Vamos nos cansando de tudo, de todos...
Começamos a perder o fabuloso “para sempre”
Aos poucos, um a um vão nos deixando
Nos deixam descendentes, histórias, a vida
Partem para nunca mais voltar

E de repente também nós partimos. Será?
Deixamos uma história geralmente anônima
Nossas pegadas vão se apagando, uma a uma
Até que, puff... Simplesmente viramos poeira da história
A não ser uns poucos cujos feitos são perpetuados por livros

Ah, insensata maneira de existir
Oh, maldita forma de se iludir
É bom que o agora tenha boas sensações
E esperar que o amanhã não seja uma eterna depressão

Leonardo Távora