Doce Egoísmo

Era ridículo. Tão ridículo que ela tentava esconder, disfarçar. E por mais que fosse em vão, ela tentava. Desviava seu olhar, mudava tudo, porém, sem sucesso algum.Seus olhos de café a julgavam; deixavam sua vontade exposta.
Sabe aquele trecho no livro “O Pequeno Príncipe” em que Saint relata sobre seu desejo de colocar sua tão Amada rosa em uma redoma? Era isso que ela queria fazer, porém, não queria colocar seu Amado em uma simples redoma, mas quem sabe, levá-lo até o fim do mundo.
Levá-lo a um lugar isolado, longe de tudo e de todos. Lugar esse que somente ela conhecesse.
E que somente ela pudesse ir até lá.
Lá ela poderia erguer paredes de madeira, construir uma casa qualquer, não era preciso muito luxo. Dando para viver a eternidade ali, com ele, já bastava.
Mas, será que ela parou para pensar por um segundo nos desejos dele? Parou para pensar em todas suas vontades loucas? Não, com certeza ela não pensou em nada disso. É normal do ser humano agir assim, pensar antes eu seus sentimentos do que nos dos outros.
Ela não fazia por mal! Talvez ela não tenha pensado em tudo isso por amá-lo demais.
Por querer esconde-lo do mundo. Por querer livrá-lo da tristeza.
Voltando ao mundo real, ela se dá conta que esse lugar isolado de tudo e de todos não existe, e que ela não pode escondê-lo do mundo, até porque esse grita secretamente por seu nome, a fim de ouvir futuramente suas histórias cantadas.
Ela nada pode fazer. Enquanto isso durar, seus olhos de café irão refletir todo o amargo que sua alma sente.
E, quem sabe, um dia ela aprenda a dividi-lo com o mundo.
Quem sabe. Nada certo, nada concreto. Mas, quem sabe?

Andresa Alvez