O único N do meu alfabeto

Por entre o som pesado do rock, uma mão leve bateu no meu ombro e disse: 
- Oi, tudo bem? Posso colocar minhas coisas aqui perto de você? 
- Eu poderia fingir que não conhecia, mas preferi o contrário. Quem não o conhecia?
Era o sonho das menininhas do ensino fundamental, e quem sabe, até de alguns meninos. Um camaleão que mudava de cor a cada três meses. Tinha cara de “gente famosa” e um sorriso de quem sabia ser feliz de verdade.
Assenti com a cabeça enquanto respondia: 
- Sim, pode colocar... 
- Você está sozinha? – Me perguntou enquanto vasculhava a bolsa atrás do cigarro.
- Não não, minhas amigas foram ao banheiro, logo voltam... Mas, pode ficar aqui... – Respondi enquanto o vi ascender o cigarro e caminhar para mais perto de mim.
Naquela noite, nos esbarramos algumas vezes, e ele sempre ficava por perto. Meus olhos buscavam pelo ser de cabelo loiro e camiseta preta a cada dois minutos.
Fiquei inquieta por conta disso, e feliz...
Já era mais de meia noite, e se tratando de uma noite de setembro de um dia de semana, era tarde sim.
- Tenho medo de ir pra casa sozinho... – Disse sarcasticamente enquanto sorria. 
Os olhos brilhavam, e eu ficava curiosa para saber o porquê. Segurava o cigarro na ponta dos dedos enquanto me ouvia falar: 
- Mora aqui perto? 
- Sim sim, não é longe daqui... Algumas ruas. E você? – Perguntou enquanto tragava.
- Moro naquela entrada em frente a panificadora... Sabe? – Respondi enquanto procurava um foco nele para manter meu olhar fixo.
- Sim, sei sim... Mas, tá tarde pra mim já. Acho melhor eu ir... 
- AI, não vai!
- Tudo bem, vai lá... Toma cuidado hein? – Disse alto enquanto ele se afastava.
Sorriu, riu e falou: 
- Pode deixar... 
E foi embora.
E eu que sabia muito dele, sem nem mesmo conhecer pessoalmente, fiquei perdida de Amores.
Na realidade, já estava, desde o meu aniversário de 17 anos, em que ele me viu andando pelo shopping...
E agora, eu fico aqui, esperando pela nossa caipirinha de vinho, ou uma cerveja, ou até, um copo de água mineral... Qualquer bebida serve do teu lado, pois todas elas vão ter o mesmo efeito que o álcool tem. Não por culpa do etílico, mas sim, porque você vai estar comigo.
Ainda vou te fazer cantar “Anything”. E ainda, eu tenho fé, de numa noite vazia de sábado, te encontrar na mesa daquele bar de rock conhecido... E sentar do teu lado.
Andresa Alvez