Íris

“Você é perfeita... A gente nasceu pra ficar junto. Dessa nossa maneira louca, mas nasceu pra ficar junto, e pra sempre.”

Ele tinha perfume de bala de café, cigarro e cereja. A frase entrou em meus ouvidos provocando automaticamente um sorriso que parece ter sido parafusado, pois desde então não sai dos meus lábios.
Todos os perfumes, texturas, sussurros e lábios me levavam ao êxtase, exatamente como uma droga. Viciante, agradável, e que fazia todo o meu corpo se entregar.
Os beijos começaram a se espalhar por todo colo, e paravam nos meus lábios.
Os olhos permaneciam fechados, e quando os abria, procurava os meus. Eu tinha perdido minhas íris ali, num canto daquele quarto. Preciso voltar para buscar.
Apagou as luzes, desfez cada um dos meus cachos. Me desfez. E me fez sorrir, e fez doer, e fez prazer.
Mordeu os lábios devagar, respirou pesado e fechou os olhos.
Analisei com cuidado a expressão que se desmontava, a maneira como o corpo relaxava, como abria os olhos devagar.
Sentou na beira da cama e me puxou pela mão; como se estivesse acostumado a me ver assim.
Fez com que eu ficasse em baixo do chuveiro, com aquela água fervendo caindo nos meus ombros magros e também, me provocando medo por culpa do barulho da resistência. Me beijou, talvez para me fazer crer que me Amava mesmo com a luz acesa.
Jogou a toalha, me deu sua camisa e me olhou sem sorrir com os lábios, só com os olhos.
Me deixou encostar no ombro e dormiu do meu lado, de costas.
Dormiu logo, rápido. Eu demorei.
Eu não perdi minhas íris. Ele as escondeu, só pra se gabar. E duvido que me devolva.

Andresa Alvez