Lá vem o Joãozinho

Nada melhor que rir da vida. Isso é algo que todos deveríamos entender, pois é o que dá sabor e gosto para nossa existência. Joãozinho, com toda sua juventude, sabia bem o que era ser feliz. Tudo era brincadeira para aquele menino. Mesmo uma ida ao médico. O legal é que todos sempre ficavam com o espírito mais leve ao conversar com o Joãozinho. 
Quem sofria mesmo com ele era sua professora. Coitada. No fundo ela bem que gostava, mas precisava fazer as vezes de disciplinadora, e não podia rir das presepadas do menino. Muitas vezes, castigar não era dizer que ele estava errado, mas que os modos como ele se expressava não eram adequados dentro da tortuosa lógica da nossa sociedade. 
Um dia, Joãozinho encontrou uma forma muito interessante de dizer à professora que estava com piolho. Isso era um problema de saúde pública, certamente. Mas o menino não sabia disso. Pra ele era só um pouquinho de coceira, que ele nem imaginava que poderia afetar os colegas da sala, e da escola. 
Durante a aula, a professora notou que o menino coçava sem parar a cabeça. Com a experiência que tem, ela julgou que ele não sabia que era piolho, e que ela deveria olhar e informar aos pais do acontecido. E ela então foi perguntar pro Joãozinho o que ele tinha. 
- Porque você tá coçando tanto a cabeça, menino? 
- Ah, professora, é por causa de um piolho morto. 

A professora se surpreendeu com a resposta do menino. Então, ele já sabia que aquilo era piolho, e certamente seus pais já tinham tomado as providências, já que o piolho estava “morto”. 
- Ué, mas isso tudo por causa de um piolho morto? 
- É, fêssora... É que os parentes dele vieram pro velório. Daí tá danado o negócio aqui. 

Pronto, a turma toda caiu na gargalhada. E essa nem a professor conseguiu segurar. Ela também riu muito. Joãozinho ficou com aquela cara de quem falou a coisa mais natural do mundo, e não estava entendendo porque todos estavam rindo. No colégio, isso foi o assunto da semana. Não o piolho que estava na cabeça do Joãozinho, mas a história toda que ele criou em torno disso. 
A professora, coitada, fez o que era normal. Retirou o menino da classe, mas não pra castigá-lo, mas para que os piolhos não infestassem as cabeças dos colegas. Levou-o à direção e informou seus pais, que logo tomaram as providências necessárias. 
Mas esse Joãozinho, hein...

Leonardo Távora