As Belezas pela Internet: "silêncio? Talvez"

O mês de junho merece uma abertura de primeiríssima qualidade, como todo mês, mas especialmente por ser este o mês de aniversário deste blog. Há dois anos estamos partilhando aqui textos que vocês gostam de ler. E escolhi uma participação muitíssimo especial. O texto li no Facebook, e é de um grande amigo meu, o  Nicola Peluso, um ator jovem de Minas Gerais de muito talento, e que eu mesmo não sabia que também escrevia tão bem. Talvez por ele ser essencialmente ator. Vejo que Nicola conseguiu ser bastante profundo sem se deixar embriagar em demasia pelo sentimento, que o tornaria prolixo. Espero que vocês também possam gostar.
Boa leitura!

Silêncio? Talvez. 
Por Nicola Peluso

Vagando sob uma noite calma, tomado pelas estrelas que piscavam simultaneamente cores pré-definidas, Alguém veio ao meu encontro. Perguntei quem é você? O que queres de mim? Seu silêncio era monotonamente entusiasmante. Era alguém de necessárias e raras palavras, que aos poucos, me induziu a relatar toda minha jovem e insignificante história de vida perante olhos alheios. Despediu-se e pediu que viesse ao seu encontro em outro dia oportuno. 
Noites ensolaradas e dias escuros se passaram e a ansiedade de ouvir aquele silêncio e de olhar naqueles olhos novamente, fazia de mim, como dizem alguns, apaixonado. Embora não acreditasse mais nesse adjetivo, me confortei com a qualidade e aceitei-a. Trocas de mensagens foram feitas e a cada dia aquilo se tornava uma certeza de que tudo não iria naufragar. 
O grande dia oportuno chegou, se não pela minha insistência, e junto dele chegou também angustias, esperanças, medo, todos esses sentimentos que os seres teimam a dizer que são “bons”. Alguém chegou, lembrou-me do ato de julgar, um tema de um dos nossos assuntos, e começou a jorrar verdades, disse por que surgiu, disse por que conversou, disse por que mentiu, disse por que enganou, porque não dissestes que era mentira? Porque era verdade, e a verdade por mais que doa é um bem necessário, ou não. Talvez. Mas pra quê falar a verdade se mentir e bem mais fácil? Mentir é livrar-se, e a mentira é um véu que cobre rostos covardes. Não se esconda! 
Enquanto alguém falava, eu me sentia em seu lugar, pois o silêncio agora me tomava por inteiro, mesmo que involuntariamente. Lágrimas marcavam lentamente sua trajetória sobre meu rosto. Sentimentos se misturavam e nenhuma palavra mais tinha sentido. Queria ir embora, mas alguém tinha mais coisas a serem ditas em silêncio. Pelo menos algo de útil ele disse e que não esquecerei, “Não corra atrás de outro alguém, você não precisa disso, dê mais valor a você do que aos outros”, disse Alguém. 
Por fim explicitou que tudo aquilo não existira e nunca existirá. Ilusão minha. Talvez. Pedia abundantemente por perdão, quem sou Eu para julgar, perdoar, ainda mais Eu que não tive trabalho efetivo nem afetivo na sua vida, e nem nunca terei. Vontade minha. Talvez. Preferi ir embora a continuar aquela tortura vagarosa, que acabava comigo lentamente, apagando a pequena ponta de amor acesa em meu interior. Fui embora, junto com a mentira, com a falsidade, felizmente distantes do meu ser, não ando de braços dados com sentimentos fúteis. Enfim, a experiência e o único fato que permanece e permanecerá. E tudo isso creio que não foi em vão. Engano meu. Talvez. Responda-me Deus! Porque me deixastes passar por tudo isso? Para que eu aprenda? Talvez. Não consigo sobreviver de talvez. Na mesma noite fui novamente buscar as estrelas para tentar me esquecer de tudo, junto delas meus amigos para me reconfortar. E por lá fui eu, passando novamente por aquele caminho já marcado pelas minhas pegadas. Inocência minha? Talvez.