Éramos amigas

E tu que te dizias amiga, dedicada e compreensiva? Onde estás? Eu gostaria de saber. 
Tu fizeste coisas ruins, cometeste atos contra mim, e eu, em nome da antiga amizade, deixei passar. Tu falaste coisas ruins, palavras amargas e duras contra mim. E eu, tola, em nome da antiga amizade, deixei passar. Eu cometi um erro. Pequeno erro. Tu, em nome do orgulho, me deixaste para trás. Disseste que eu morri para ti. Quem perdeu? Quem ganhou? Ninguém.
Dois anos se passaram. Dois anos de silêncio e gelo. Um acidente aconteceu. Tu tiveste medo da morte? Eu temi perder uma antiga amiga. Tentamos outra vez? Talvez. Liguei. Queria saber como tu estavas. Se tu precisavas de algo. Eu me surpreendi com a resposta. Doce e serena tu atendeste ao telefone e respondeste-me que tudo estava bem. Eu tremi. Senti medo de ser mal tratada, ignorada outra vez. Para minha surpresa, conversamos tranquilamente.
Gostei de conversar. Tentei outra vez. Como não tive chance de me explicar no passado, tentei falar. Surpresa! Tu me ouviste. E falaste de teus sentimentos. Após oito anos de amizade, pela primeira vez tu foste sincera e expressaste emoções diante de mim. (Eu acreditava que tu eras verdadeira, mas me enganei. Descobri depois de um tempo...)
Pronto. Consciência limpa. Evoluímos? Sim. Quero continuar esta “amizade”? Não. Sabe por quê? Cansei. Tentei, mas cansei. Cansei de ser deixada para trás. Cansei de ser excluída. Cansei de tua falsidade. 
Conheci pessoas novas. Amizades recentes, porém reais, puras. Agora, tua inveja não me afeta mais. E sei que tu morres de inveja. Morres porque tenho amigos (carinhosos e verdadeiros) e tu? Tu tens colegas (interesseiros e falsos). Depois de todo o esforço para retomar nossa amizade, consegui. Conversamos, rimos, brincamos. Mas não quero. Não quero mais. Decepções e tristeza, para quê? Estou melhor assim. Desta maneira não terei alegrias, mas evito lágrimas e desapontamentos futuros.
Gostaria que tu pudesses participar mais de minha vida. Tenho tantas coisas para partilhar... Porém, depois de tudo que aconteceu, aprendi que tu és dispensável. Tu podes ser substituída. Aliás, tu já foste substituída e por pessoas muito melhores, sinceras e, porque não dizer, pessoas mais bonitas e agradáveis. Enfim, tu foste importante para mim, compartilhamos muitas experiências. Mas tu és apenas uma pessoa que conheci. Conheci e passou. Hoje, tu morreste para mim.

Marina Messias