Amiga tristeza

Se tem uma coisa que consome a gente é a tal da tristeza. Coisa chata, que aparece e, como uma segunda-feira, demora para ir embora. Ela vem de mansinho, te passa uma rasteira, pisa no seu coração e não te deixa levantar.
E ela não é fácil. E ela toma outras formas. Ela se disfarça de raiva e causa briga. Ele se finge de inocente e te faz chorar. Ela mente, te engana e vai ocupando mais espaço.
Essa tal tristeza te faz menor. Encurta seus sonhos, diminui sua fé e banha-se em suas lágrimas. Ela te afasta das pessoas queridas e piora o que já está ruim. Acaba com o que estava bom. Tira sua vontade de viver, seu desejo de seguir e sua força de sonhar.
Aos poucos, a tristeza vira dor. E cresce. Torna-se depressão.
Ela vem de mansinho e toma seu mundo. Ninguém entende como é viver em dor. Ter seu interior rasgado com uma navalha e refeito todos os dias para, em seguida, ser rasgado novamente.
Com o avanço das tecnologias, em especial para a medicina, quem sabe, talvez, descubram a cura para esse mal. Um mal mutante, que a cada dia troca de face e traz, em sua caixinha de horrores, a angústia, o desespero e o medo.
Olha, já vem ela. Vestida de preto e com os braços abertos. Pronta para te envolver em sua teia de pavor.
Já vem ela. Disfarçada de timidez, levando sua voz.
Talvez amanhã, com o raiar de um novo dia, ela resolva sair, esquecer você e procurar outro alguém para abraçar com suas mãos geladas.
Neste dia, quando ela se for, saudade não vai deixar, mas um alívio com cheiro de liberdade.
Neste dia, a vida tem a chance de melhorar e voltar a ter a cor.
Quando este dia chegar, você vai reaprender a sorrir. Sorrir com os olhos e com coração.
E este dia vai chegar. Não é hoje, talvez depois.
Só espero que não seja tarde demais.

Marina Messias