O ser humano em modo automático


           Acordar de manhã no frio e ainda cedo desanima qualquer um a fazer qualquer coisa que não esteja relacionado a cama e cobertor, pois bem é assim que todos fazem.

       Ao levantar já com pressa conseguimos desfocar nossa visão e fazer somente o que é estritamente necessário. Tomamos o café, que não é café, o pão, que não é de queijo, e saímos a rua. Independente se você vai de carro, ônibus ou a pé, sua visão está sempre lá na frente, em um trabalho que ainda não começou, a multidão de pessoas como formigas pelas vias parece não existir como seres humanos.

           Seja rápido ou longo o trajeto você acaba chegando a seu destino, liga sua visão de ver gente e ativa o modo ser humano em câmbio manual. A primeira conversa no local é um bom dia, depois, as conversas não terminadas de ontem e assunto novos após, tudo isso agora com o modo ser humano ativado. 

            Após um longo dia, desligamos o modo ser humano com vida e passamos para o automático, aquele que somente faz o necessário para não morrer, novamente as pessoas se tornam multidão, os olhares não se cruzam mais, não há mais conversa e voltamos nossos olhos para uma tela, fechamos os olhos e sabemos que amanhã tem de novo.

Marcus Campolina