Páscoa de Reflexão

Acordo com frio.
Envolto em uma densa névoa
Que paira sobre nossas cabeças
E nos confunde, nos engana.
É tempo de ressurreição.
Hora de pausa, reflexão.
Por que Ele entregou sua vida?
Por que, hoje, diante das muitas
Alternativas que se apresentam,
Entrego a minha? Por quem?
Sou um refém privilegiado.

Trago no espírito a tristeza
De quem trabalha pelo conhecer
E cada vez conhece mais de menos.
Trago a infelicidade de não poder
Ser mais do que uma engrenagem.
Faço parte de um sistema falido
Chamado vida humana.
Enxergo, por entre as frestas
Da grade, na qual me aprisionam,
Vultos de homens que se digladiam.
Vejo pequenos seres, de mentes
Igualmente rasas e pobres
Que se consomem e se devoram.

Não sou mais do que eles.
Tampouco somos todos melhores,
Ou piores, que tantos outros.
Somos irmãos no sofrimento.
Na infelicidade de vivermos,
Observando e aguardando
A oportunidade de estarmos,
Um dia, quem sabe, ao lado Dele.
Escrevo, pois, em prantos
(Sem fugir de minha condição
Perene e, principalmente, fraca)
Na esperança da compreensão
Da minha falibilidade e no
Aguardo da aceitação de minha
Mais humilde rendição.

Nesta Páscoa, desejo que a paz
E a luz divinas possam fazer
Morada nos lares daqueles que
Praticam e se satisfazem no
Exercício do bem.
Oro pelos pouco afortunados,
Irmãos de cela, que, trancafiados,
Assistem, comigo, ao espetáculo
Da tormenta mundial, promissor
De prósperos tempos de alegria.
Tempos estes que virão
Quando, em seu tempo, o Homem
Iluminar todos os nossos caminhos.


Gustavo Dias