Dormindo com a morte


Adormeci ao lado dela, a morte,
Com a cabeça ainda viva, porém.
Pouco dormi e com ela sonhei.
Mais uma noite entregue. Refém.

Acordei durante a madrugada
E a toquei com esperança.
Madura de suas decisões,
Não me deu alguma confiança.

Firme e inabalável permaneceu.
Fitava-me ora à vista, ora oculta.
Sua intenção era, a cada passo,
Fazer maior a minha culpa.

Acordou! Encarou o meu interior.
Esquadrinhou minhas sutilezas
E com a mais firme certeza
Escondeu, novamente, sua beleza.

Fiz-me pequeno, desapercebido.
Sem sucesso, me escondi em mim.
Não precisou se levantar e...
Decretou, ainda deitada, o meu fim.

Recolhi-me aos meus cantos.
Retornei aos meus sonos enquanto,
Levantava a morte de seu leito para
Noutro dia, desfilar seus encantos.

Gustavo Dias