'Livro' em Cena: "Um drama bem parisiense"

E mais uma vez estou aqui apresentando uma adaptação. O 'Livro', no título, entre aspas, se deve ao fato de ser um conto dentro de uma obra do Alphonse Allais, escritor francês que publicava seus contos e crônicas em jornais humorísticos do seu país. Nesse conto, do qual destaquei um pequeno pedaço, ele retrata a doce vida de um típico casal parisiense, com típicos problemas de casal, mas que se amam, como todos os casais ao redor do mundo. Vale procurar o texto para ler. É uma leitura prazerosa e rápida.
Aqui no blog, fiquem com o trecho.
Boa leitura!


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01 - FACHADA / EXTERNA / DIA-NOITE
Fachada da casa de Raoul e Marguerite sob a luz do meio-dia. 

NARRADOR
(V.O.)
Um dia, porém, a coisa ficou mais 
grave do que de costume.

A fachada ganha, num corte brusco, iluminação da meia-noite.

NARRADOR
(V.O.)
Melhor. Uma noite!

CORTA

02 - SALA / INTERNA / NOITE
MARGUERITE e RAOUL entram em casa. Ela se atira no sofá enquanto ele termina de fechar a porta, passando a tranca. Eles não se olham. Raoul quebra o silêncio, ainda de costas para ela.

RAOUL
(Resmungando)
Quando você tiver visto bastante Grosclaude, 
você me dirá.

MARGUERITE
(Afirmativa)
E você, quando tiver conhecido Mlle 
Moreno de cor, me passará o binóculo.

RAOUL
Vai começar?

MARGUERITE
Quem começou tudo foi você, oras.

Marguerite se levanta, encarando Raoul, que ajeita o bigode, com ar sisudo. Ele vai para cima dela, que se esquiva, correndo pela sala, usando os móveis como escudo. Raoul consegue pegar marguerite pelo cabelo, mas ela se esquiva mais uma vez e corre em direção à cozinha.

Do quarto, com a porta entreaberta, ouve-se sons de louça quebrando.

Do jardim, em tom bem baixo, ouve-se sons de mais coisas quebrando.

Marguerite corre em direção à câmera, pára e solta um sorriso sarcástico. Ela olha para trás, e vê Raoul se aproximando. Joga-se, de modo dramático, nos braços dele, que fica completamente sem ação.

MARGUERITE
Por favor, meu querido Raoul, defenda-me!

FIM