Mar que traz saudades

Abri minha bolsa, buscando no “compartimento secreto” os cigarros de canela.
Eles estavam há tanto tempo ali que cheguei a pensar que estariam mofados.
Eu nunca me dei bem com isqueiros, meu cérebro não conseguia tragar e acender ao mesmo tempo.
- Acende pra mim? – Pedi enquanto ajeitava o cigarro nos lábios. Ele o fez.
Reclinei o banco e desliguei o player do carro, eu queria ouvir o barulho do mar.
Ele também reclinou o banco, acendeu o cigarro e um silêncio confortável se formou.O céu estava azul claro, com milhares de pequenas nuvens se formando, trazendo com elas o escuro da noite, um vento frio balançava as folhas das árvores, um pequeno grupo de pessoas que estava a alguns metros dali dançava com o som do carro ligado bem alto, que por sinal, era uma música que eu adorava.
Eu conseguiria passar horas e mais horas ao lado dele, naquele silêncio.
Nos conhecíamos tão bem a ponto disso, de até assim a companhia um do outro ser agradável.
Ao terminar meu cigarro, joguei pela janela e olhei para o lado esquerdo, ele tragava forte, soltando a fumaça devagar, deitado, olhando para o mesmo céu que eu olhava.
- Eu queria te dizer algo... – Comecei, sentindo as palavras me atrapalharem.
- Eu sei que nós nunca passaremos disso, disso que acontece aqui, disso que já aconteceu. Mas, eu queria que você soubesse que mesmo com todas as nossas diferenças, com os limites que temos que respeitar um no outro, você foi, é, e sempre será o Amor da minha vida... -
Um sorriso gigante se formou em seus lábios e eu apenas sorri de volta.
- Eu não sei o que dizer... – Ele começou.
- Não precisa dizer nada... Eu só queria falar isso, só queria que você soubesse disso. -
Mas, era mentira. No fundo, eu queria dizer muito mais. No fundo, eu queria que aquela situação fosse apenas uma fase. Eu queria que todos os meus contos se tornassem realidade, e que o casal que todo mundo achava que nós éramos se tornasse um casal de verdade.
Mas aquilo não iria acontecer, nunca. E por isso, eu apenas voltei a deitar no banco, enquanto sentia ele segurar minha mão esquerda, beijar e dizer: - Eu te Amo, viu -
Respondi, sentindo um bolo de palavras trancar minha garganta : - Eu também te Amo, muito.
 
Andresa Alvez