Dança da desilusão

Não sou aquele
Que irá te mostrar o caminho
Tampouco sou a voz
Da sua surda geração
Tenho nada a oferecer
Em mim nem preste atenção

Minha crença política?
Tudo farinha do mesmo saco
Minha religião?
Eu primeiro, o resto depois
Se creio no amor?
Meu coração não tem lugar pra dois

A luz no fim do túnel
Apagou-se por falta de pagamento
Depois da tempestade
Vem um furacão
A união só faz açúcar
Cadê o passarinho que eu tinha na mão?

O poeta não morreu
Foi ao inferno e voltou
Com péssimas notícias
Cético, confuso, niilista
“Perdoe-me, jovem,
Não tenho para ti sequer uma pista”

Dois pra lá, dois pra cá
Gira, roda, vai-e-volta
Faça uma reverência
A vida chama pra dançar
Ouça a valsa, sinta o ritmo
Junta, separa, troca de par

Um conselho?
Siga em frente
Pois pra trás, já tentei
Não consegui, que pena!
Vá adiante, porque lá na frente
Um final (feliz ou triste?) já te acena


Celso Garcia