O essencial à vida

De repente, numa dessas voltas que a vida dá, a gente encontra algumas pessoas que sabem fazer a diferença em nossa vida. Geralmente não é alguém, assim, tão fenomenal. Aliás, o simples costuma atrair e surpreender mais que quem promete demais. É na pequena ação, no mínimo ato, que entendemos o quanto é importante estarmos vivos. Especialmente quando encontramos alguém que, simplesmente, se torna essencial. 
Antes que você pense ser essa uma explanação de ode ao amor, digo que essas pessoas, esses tipos, pode-se encontrar nesses mais diversos momentos que nós vivemos. É gente. Ser humano na mais completa e firme acepção da ideia. Quer um exemplo? Quando trabalhamos em algum lugar, qualquer que seja, sempre somos alvos de conversinhas fiadas, disse-que-disse, e por aí vai. A pessoa especial é aquela que nos surpreende. E geralmente o faz sem nem notar. 
O funcionário concentrado em seu trabalho. A sócia que salta da cadeira com uma ideia genial e de fácil execução. O jovem que se mostra interessado no serviço que está aprendendo. Olha, muitos são os exemplos. Mas uma só é a certeza. Quem muito fala, e se vangloria, é exatamente quem pouco, muitíssimo pouco realmente faz. Isso porque, geralmente, essas pessoas “explanadoras” adoram falar que possuem curso disso e daquilo, que têm clientes importantes. Mas, quando lhes é dado um trabalho, pouco executam, e são tão abertos, que já sabemos de antemão como vão agir e de que modo terminarão. 
Mas as pessoas essenciais, ah, essas não achamos a cada esquina. Parece que se escondem. Seria vergonha? Eu prefiro chamar prudência. Uma qualidade que quando aliada à inteligência, é capaz de moldar um mundo inteiro, modificando estruturas e desbravando novos tempos. Essas pessoas nos surpreendem, e são capazes de nos dar fôlegos novos, seja para continuar acreditando na vida e nas pessoas, seja para que nós mesmos, de certo modo, comecemos a nos mexer. 
Claro que, no amor, encontrar pessoas essenciais é fundamental. Talvez por isso erremos tanto na vida nesse campo. Porque, incansavelmente, procuramos o essencial. Como diria Saint-Exupéry, o “invisível aos olhos”. E quando encontramos tal pessoa, acabamos nos agarramos a ela de tal modo que inventamos o casamento para que não só não nos tirassem mais nosso ser essencial, como também para nos resguardarmos até de nós mesmos, tendo ao nosso lado alguém que realmente saiba nos ouvir sem pré-julgamentos, e nos compreender não apenas com o físico, mas na alma. 
Olha, seja onde for, talvez você se lembre dessas linhas quando encontrar uma pessoa que realmente lhe pareça essencial. Claro que à primeira vista isso não é perceptível. O tempo é o grande senhor dos véus. Coloca no que não tinha, nos fazendo esquecer o que nos massacra, e retira do que tinha, nos mostrando a realidade de muitas coisas. O tempo, diria eu, é um descobridor do invisível, do essencial. Quando você encontrar alguém que lhe chame a atenção, seja por que motivo for, se permita um tempo observando essa pessoa. Quem sabe você também acaba se surpreendendo com o que vai notar. O essencial à sua vida, além do que existe dentro de você, pode estar ao seu lado.

Leonardo Távora