As reviravoltas da vida

É engraçado falar de experiências na vida. Até porque a própria vida é uma experiência que um dia, fatalmente fracassa. Não que a morte seja o que não deu certo. Podemos dizer que a vida é uma sucessão de sucessos ou fracassos, que um dia acaba. Como tudo no mundo acaba. Sejam sensações, sentimentos, objetos, posições... Tudo é passageiro.
A gente é, habitualmente, um repetidor de uma máxima antiga: “O mundo dá voltas!” É verdade, mas não a completa verdade. Afinal de contas, se o mundo é uma linha histórica de voltas, em dado momento, o que esteve por cima e agora está por baixo pode voltar ao status anterior em uma nova volta dessa vida. Ah, e como se fala isso quando sentimos raiva de alguém ou de alguma situação, não é? 
Quando o assunto reflete um sentimento afetivo, o terreno acidentado desse negócio que chamamos “viver” é ainda mais emocionante. Quantas e quantas vezes vamos do céu ao inferno por amor. Sempre, ou numa sequencia grande de reiteradas vezes, dizemos a nós mesmos que aprendemos a lição, que nunca mais voltaremos a nos enganar tanto com alguém... Quanta bobagem! Pois é justamente nesse campo que somos e seremos eternos aprendizes, mas daqueles que não se cansam de repetir a matéria. 
E como apanhamos do nosso coração, não é mesmo? Este órgão está para os românticos do mesmo modo que o fígado está para os viciados em álcool, ou que os pulmões estão para os dependentes do fumo. Românticos são irremediáveis viciados em amor. Vivem disso, cantam isso, poetizam isso, e, porque não, sofrem por isso. E, como todo sentimento, é passível de picos e abismos, nas idas e vindas dessa estrada indecifrável chamada vida. 
Também o cérebro sofre bastante com os nossos humanos altos e baixos. A razão é comumente associada ao profissionalismo, à inteligência, e ao dinamismo de ações que fazem nossa vida ser sucesso ou não. Existem pessoas que parecem ter nascido para brilhar, e outras, que mesmo que tentem, mas muito, incomensuravelmente, incansavelmente, parecem repetidamente fadados ao fracasso. Não é que sejam ruins, eternos perdedores das corridas da existência, mas talvez insistam em observar sua trajetória por uma ótica distorcida. Certamente são bons em alguma outra vertente, mas, nunca pensaram tentar. 
Seja pelo emocional ou pelo racional, somos, todos nós, seres humanos pensantes e errantes, feitos de altos e baixos. E nas reviravoltas da vida, existe sempre um modo de voltar a bailar. Vivemos em um mundo de oportunidades a cada esquina. Vamos, então, tentar observar mais o leque de opções que temos aos nossos pés, pois, a cada novo dia nos é dado uma nova chance de fazer diferente, de recomeçar e tentar ser melhor. “Vamos lá fazer o que será!”

Leonardo Távora